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Xênia França prepara estreia solo com percussão baiana, jazz e eletrônica

Por Daniel Oliveira.

No início do ano, a cantora e compositora baiana Xênia França, radicada em São Paulo e integrante da banda paulistana Aláfia, passou um tempo em Salvador. Sentiu o verão, saudou Iemanjá e cantou no Festival Oferendas (Lalá), no 2 de fevereiro. Energizada, retornou para São Paulo com um novo e empolgante desafio, começar a pré-produção do seu primeiro álbum solo, ainda sem título escolhido, previsto para ser lançado no segundo semestre deste ano. Ela foi aprovada na categoria nacional do projeto Natura Musical para o registro do disco e realização de shows (veja os artista baianos selecionados).

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Entrevista: Aláfia reforça sonoridade negra e discurso incisivo.

“Agora estamos finalizando a parte de pré-produção e no dia 17 de abril entramos no estúdio da Red Bull para gravar”, diz a cantora, entre a passagem de som de uma música e outra para a sua primeira apresentação solo, com participação de Teresa Cristina, que aconteceu na semana passada em duas noites no Rio de Janeiro. “Para mim é muito importante me preparar para fazer o show do disco. Esses shows são uma espécie de laboratório para poder me experimentar, é um processo novo, como se estivesse começando do zero”, explica.

A cantora conta que três faixas são próprias, uma em parceria com Lucas Cirillo, músico da Aláfia. A maior parte do repertório, de inéditas, já está definido. “Recebi músicas de muita gente maravilhosa”. Na sonoridade, um trânsito entre as levadas percussivas baianas, o jazz e as camadas eletrônicas, tudo isso entremeado na canção. Instrumentistas como Ricardo Braga e Cainan, da Orquestra Rumpilezz, o baixista Robinho Tavares, o baterista Victor Cabral e o pianista Fábio Leandro vão integrar o time que entrará em estúdio com Xênia.

“É um álbum de visão de mundo. A vida pela ótica dessa mulher negra, que se mudou para São Paulo ainda adolescente e vive na cidade há treze anos. As minhas principais vivências, uma ótica bem pessoal”, diz a artista, que cita a Rumpilezz com paixão e as cantoras de jazz Billie Holiday, Nina Simone, Etta James e Ella Fitzgerald como referências. O primeiro passo para essa nova etapa foi dado com a divulgação do videoclipe da música Breu, parceria com Cirillo, cuja sonoridade percussiva-eletrônica já aparece presente.

Sobre a relação entre trabalho solo e o Aláfia, ela diz que pretende conciliar as duas coisas. “O grupo é um projeto consolidado no qual vou continuar trabalhando. Já me perguntaram até se eu iria sair do Aláfia. E eu respondi: ‘claro que não’. É um projeto muito querido, tenho muita coisa para aprender e para dar. O meu álbum é mais a realização de um sonho”, afirma.

O disco de Xênia está sendo produzido por Pipo Pegoraro, músico e arranjador, e Lourenço Rebetez, guitarrista e compositor ligado ao jazz e também interessado nos sons afro-baianos. Ambos são grandes amigos da cantora e têm muita experiência com gravação. “A ideia já existe há bastante tempo, desde que comecei a cantar em São Paulo, mas ainda não tinha tido coragem de me expor dessa maneira. Então na escolha dos produtores a tônica era a intimidade. O cotidiano tem sido carinhoso, na casa do próprio Pipo, entre mamadeiras de neném e gargalhadas. Um clima de muito amor e muito respeito”, completa.

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