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Entrevista – Teago, da Maglore: “Temos uma geração de ouro novamente”

Com o lançamento do disco “III”, em 2015, a banda baiana – atualmente radicada em São Paulo – Maglore ganhou destaque na imprensa nacional como um dos melhores discos do ano passado. Aqui mesmo, na votação da crítica organizada pelo El Cabong, o álbum ficou em 1º lugar (empatado com Tiganá Santana e Vivendo do Ócio) como melhor álbum baiano e 3º lugar na votação de discos nacionais (atrás apenas de Elza Soares e Emicida). Atualmente um trio, formado pelo vocalista e guitarrista Teago Oliveira, o baixista Rodrigo Damatti e o baterista Felipe Dieder, a Maglore retorna a Salvador no próximo dia 17 de dezembro, para show no Festival Sangue Novo, ao lado de atrações como Tulipa Ruiz, IFÁ, entre outros. Em entrevista para o el Cabong, o vocalista Teago fala sobre o ciclo do disco “III”, novos nomes da música baiana que precisam ser ouvidos “em caráter de urgência”, próximos planos da banda, entre outros assuntos. Confira!

Por Lucas Cunha

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O disco “III” da Maglore completou em junho de 2016 um ano de lançamento. É um álbum que colocou a banda em outro patamar de reconhecimento junto ao público e à crítica. O que já dá para avaliar deste ciclo do terceiro disco?

Acho que foi um trabalho de tijolo por tijolo, a cada disco vínhamos crescendo e quando o “lll” chegou já estávamos maiores a ponto de estourar algumas bolhas. O “lll” é um disco mais pop por natureza. Não planejamos fazer ele assim ou assado, ele saiu e as coisas aconteceram. Considero nosso lugar um lugar legal, lutamos muito pra manter a Maglore como um projeto coeso e buscamos sempre aprender coisas novas. Sentimos gradualmente a banda crescer no ritmo dela.

 

“Temos uma geração de ouro novamente na música brasileira e a indústria insiste em se comportar como 20 anos atrás.”

O Festival Sangue Novo, que vocês vão tocar nas próximas semanas, aposta em artistas da nova música autoral brasileira na sua programação, como acontece também em outros festivais. Assim como, alguns programas de rádio, como o que leva o mesmo nome festival, na Globo FM, e o Radioca na Educadora. Quais as principais dificuldades que você vê para a sua geração em atingir um público maior e ocupar espaços como o das rádios, por exemplo?

Acho que os formatos estão todos mudando, tudo é muito difuso e a circulação de dinheiro e investimento no nosso mercado em específico é escasso, ainda que em evolução. Tudo está muito na internet e a internet tem um ritmo alucinante de informação e dispersão – e o mundo tá uma maluquice, convenhamos. As dificuldades começam em fazer as pessoas ouvirem seu disco. Não é fácil. Depois daí, é fazer irem no seu show – o que rentabiliza seu trabalho. Falta diálogo das rádios e das mídias para com o novo. Temos uma geração de ouro novamente na música brasileira e a indústria insiste em se comportar como 20 anos atrás. Em contraponto, (projetos como o) Natura Musical e Selo Skol arejam o mercado médio. Mas são só dois. Podiam ser 10, no mínimo. É preciso enxergar essa mudança. Eu adoro o desafio de viver nesse turbilhão. Trabalhoso mas divertido.

Como a Maglore vem tentando quebrar estas barreiras?

Acho que a primeira coisa que a gente pensa é na música e na arte. Na criação. Dela os caminhos se abrem de forma natural. A Maglore nasceu sem ninguém saber o caminho das pedras. Eu não sabia como era uma masterização e nunca tinha ouvido falar em assessoria de imprensa. Coisas que te colocam anos atrás de qualquer artista bem orientado. Mas isso também não é grande problema, pois fomos descobrindo, partilhando, construindo coisas. Adoro o jeito que se faz e se promove musica hoje. Hoje a gente corre mais pra fazer coisas legais pra gente e pro público. Tocar na rua, gravar ao vivo em estúdio e colocar no YouTube, interagir com quem curte nosso som. Coisas da música independente. No inicio da banda, eu tinha certo desespero por não saber conduzir nada. Uma vez, Ênio (aí de Salvador, baita artista) me disse: “calma, vocês vão conseguir coisas legais com a música de vocês”. E é bem isso de ir aprendendo.

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Apresentação da Maglore no Lollapalooza Brasil 2016, com participação de Hélio Flanders (Vanguart)

O próximo show de vocês aqui em Salvador é no Festival Sangue Novo. Vocês conhecem / têm relação com os artistas locais e nacionais desta edição?

Conheço e sou grande fã de Manuela Rodrigues, mas desses todos do festival somos mais próximos de Tulipa (Ruiz) e consequentemente seu irmão Gustavo (Ruiz). A gente se bate sempre em festivais e troca altas ideias. Gustavo troca altas figurinhas musicais comigo. São ótimos. O Ifá eu nunca vi por falta de oportunidade, mas os músicos são conhecidos de Salvador.

Tem algum show específico do Festival Sangue Novo que querem assistir?

O do IFÁ!

E que outros artistas vocês indicariam como “sangues novos” que merecem ser mais conhecidos pelo público?

Em caráter de urgência, é necessário o quanto antes se conhecer os trabalhos de Giovani Cidreira, Jadsa Castro e Josyara (nota do editor: Giovani e Josyara estão na programação do Festival Radioca, nos dias 3 e 4 de dezembro em Salvador). O público de Salvador perde muito em não ouvir. Essa safra é gold. São finos. São preparados e são artistas completos. Giovani eu sou suspeito, ficou um mês aqui em casa em SP, mas eu tenho um mínimo de bom senso pra dizer que o cara é absurdo enquanto compositor. Jadsa e Josy são um talento puro.

Você recentemente postou um vídeo de uma música solo sua, “Carioca”, ao lado da cantora Silvia Sant’Anna. É um indício que você pensa em fazer algum lançamento solo em breve?

Tenho coisas solo pra soltar e tô estudando lançar um disco futuramente, mas a Maglore demanda um trabalho maior e mais rigoroso, então minhas coisas solo são segundo plano.

A carreira solo é algo a ser levado junto com a Maglore?

Se possível sim, a Maglore é uma coisa e minhas músicas fora dela é outra.

O disco “III” já tem mais de um ano e a média de vocês é lançar um disco a cada dois anos. O “Veroz” é de 2011, o “Vamos pra Rua” de 2013 e o “III” de 2015. Teremos então um novo disco em 2017?

Não queremos apressar nada, mas já tem música surgindo. Rodrigo (Damati, baixista da Maglore) tá com uma safra boa e eu tenho uns rascunhos. Todavia, não pensamos numa data pro próximo disco.

Quais os próximos planos da Maglore?

Encerrar os trabalhos do “lll”, talvez mais um clipe e já partir pra lançar músicas novas.

Falem um pouco de como será a apresentação de vocês no Festival Sangue Novo. Teremos, por exemplo, a música nova que vocês lançaram “Te Juro Que Nem Sei”, sobra de estúdio do disco “III”, ou até alguma das versões que a Maglore fez do repertório de Tim Maia para o especial do canal Bis?

Acho que o show vai ser autoral mesmo. E vai ter o “Te juro que nem sei”. Vamos tocar músicas de todos os discos. Normalmente o “Veroz” fica de fora, mas em Salvador se a gente não toca esse disco as pessoas jogam pedra na gente.

Pra terminar, deixem uma mensagem para o público de Salvador que espera pelo show de vocês no Festival Sangue Novo…

Estamos morrendo de saudade. Nunca ficamos tanto tempo sem tocar em Salvador, então esperamos todo mundo lá pra ser lindão.


Maglore Canta Tim Maia – Programa Versões… por ailton-dialuce

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