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A impressionante apresentação de Baco Exu do Blues em Salvador

O disco de estreia de Baco Exu do Blues já havia deixado todo mundo de queixo caído. Forte, incisivo e criativo, o trabalho do rapper baiano de 21 anos tem arrancado elogios e é talvez o grande nome que faltava para consolidar de vez o rap baiano e empurrar uma cena que já possui grandes nomes, como OQuadro, Nova Era, Opanijé, Daganja, Vandal, entre tantos outros. E é mais um nome que comprova a excelente nova safra da produção musical baiana.

O el Cabong ainda está devendo resenha do disco de Baco e uma entrevista com ele, mas por enquanto ficamos com essa mostra do que ele vem provocando no público. Há alguns dias, em Salvador, Baco se apresentou no festival PercPan, em pleno Rio Vermelho, fechando a primeira noite do evento e provocando uma comoção, como você pode ver abaixo nesse registro do pessoal do Base 071.

O assombro de quem não conhece era geral, como descreveu o jornalista Franciel Cruz:

“Baco me pareceu muito chinfroso, até meio lerdo. Porém, ele e a banda conseguiam algo exuberante: falar, dialogar, com uma galera vida loka que inundou a praça de insanidades & potências. Abre o caminho. Deixa o Exu passar, DISGRAÇA. Os descolados – esta raça de gente ruim que tem o poder de, com suas falsas promessas de amores e umas idiotas e pretensas análises sócio-antropológicas, destruir o que há de bom -, saíram de cena. Abre o caminho, DISGRAÇAS. Deixem os exus passarem.

Pois então. Também classe média metido a descolado, e mesmo com o couro curtido na pipoca da madruga do relógio de São Pedro, vi que a casa poderia feder a homem. O negócio, apesar de ser negócio, sempre é negócio (capitalismo é uma DISGRAÇA), era à vera. Sexo & sangue. Muitas pancadas furiosas. Ai, minha costela. Quase pedi kelé. Aguentei. Fui sendo como posso. E os meninos/erês/exus subiam nas árvores. Medo de mim. Cocaína vendida nos banheiros químicos. Medo de mim. Deixa o Exu passar. E descer.

E o morro desceu para o insípido PercPan. Os guris do Nordeste, da Santa Cruz & Adjacências estavam em casa. Porra de barzinho de Rio Vermelho!!! Eles eram os donos dos territórios. E eu me lembrei do primeiro desfile do Ilê, que não vivi. E vi que ali estava toda a força da ancestralidade. Na década de 1970, existiam mais puliças do que integrantes do revolucionário bloco afro. Agora, os meganhas nem entravam no meio da chibança. O espaço era nosso, digo, deles.

E, mesmo eu não sendo Exu, fiquei feliz por ver tantos na praça, sem medo & sem vergonha.
Abre o caminho, DISGRAÇAS!!!”

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