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20 novos clipes de artistas brasileiros que você já deveria conhecer

A gente vive repetindo aqui no el Cabong que os clipes são uma das melhores formas de acompanhar o que anda acontecendo na música brasileira. Para facilitar a vida de quem procura artistas e bandas interessantes em meio a tanta produção de discos, singles, mas também de clipes, selecionamos alguns dos principais lançamentos das últimas semanas. Nesse filtro, destacamos nomes que consideramos relevantes, mas que nem sempre conseguiram a atenção devida ou que são menos conhecidos do que deveriam. Alguns deles já tem até uma trajetória mais longa, mas como assim você ainda não percebeu esses trabalhos? Ainda é tempo e esse apanhado é justamente para facilitar isso.

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Zé Manoel – Adupé Obaluaê

(Pernambuco – zemanoel.com.br/)

Para o el Cabong, Zé Manoel é simplesmente um dos maiores nomes dessa geração. Compositor de altíssimo nível, é autor de algumas das canções mais lindas do século 21. Daquelas com todo perfil de virarem clássicos de nossa música. O pernambucano é também cantor e pianista do mais alto calibre e acaba de lançar mais um lindo disco (veja faixa faixa sobre o álbum). Se você ainda não conhece, esse clipe dirigido, roteirizado e com performance de Gil Alves é uma ótima apresentação.

Heavy Baile – Noturno 150

(Rio de Janeiro – heavybaile.com)

Se você tem preconceito com funk carioca, precisa rever seus conceitos. Como em qualquer gênero musical, há muitas coisas frágeis, mas também artistas muito interessantes. É o caso do Heavy Baile, um coletivo carioca que faz funk com muito estilo e competência. Distante das regras da indústria, o grupo mantém o frescor criativo e as características mais essenciais do gênero originário dos morros cariocas. Nesse clipe, um funk instrumental em 150 BPM leva o dançarino Ronald Sheick numa visita virtual ao Metropolitan Museum of Art de Nova York.

Flora – A Emocionante Fraqueza dos Fortes

(Alagoas – facebook.com/uchoaflora)

Apesar de ter nascido no Rio de Janeiro, a cantora e compositora Flora é alagoana de criação, referências e sotaque. Em seu disco de estreia, já mostra as credenciais, com um trabalho que articula xote, baião e ritmos brasileiros com esquisitices contemporâneas. É pop torto, atmosférico, brasileiro, com letras inteligentes e uma interpretação singela e forte. Produzido por Wado, o disco leva o sugestivo título dessa música, ‘A Emocionante Fraqueza dos Fortes’, que ganha esse clipe sensual e delicado na medida, resumindo o que é o álbum.

Julico – Eu São / Curtis Says

(Sergipe – soundcloud.com/julico-music)

Líder de uma das bandas mais interessantes do atual rock brasileiro, o cantor, compositor e guitarrista Julico mergulhou em outros ares para produzir seu primeiro disco solo. Música brasileira, soul music, sonoridades setentistas, mas mantendo a mesma qualidade e poder em fazer canções que retratam o mundo a sua volta. Esse clipe, dirigido, editado e montado pelo próprio Julico em sua sala. Leia a entrevista que fizemos com Julico.

Tássia Reis – Inspira, Try

(São Paulo – tassiareis.com.br)

Inicialmente focada no rap, a cantora e compositora paulista ampliou seu leque de referências e trafega pela música negra com muita competência. R&B, soul, jazz, rap e trap se encontram numa carreira que vem se consolidando e coloca Tássia como nome chave para ultrapassar os nichos da música independente.  Aqui ela aparece com o caprichado clipe em animação de “Inspira, Try”, mais uma produção audiovisual de uma música de seu terceiro álbum, ‘Próspera’.

Barro + bRabA – Antimusa

(Pernambuco – barromusic.com)

De uma nova geração pernambucana, o cantor, compositor e músico Filipe Barros apareceu no grupo recifense Bande Dessinée, mas ganhou a atenção merecida em sua carreira solo, assinando como Barro. Sua música escancara uma característica da contemporaneidade, o hibridismo como algo tão natural, que não se distingue o que tem de sonoridade indie ou nordestina. Sua estética contemporânea faz com que ritmos tradicionais como maracatu e ciranda apareçam entranhados em meio a sonoridades pop e eletrônicas universais. A música do clipe é de seu segundo e mais recente álbum, ‘Somos’, de 2018.

Luana Carvalho – Dia Seguinte

(Rio de Janeiro – facebook.com/carvalholua)

Filha de Beth Carvalho, Luana segue muito bem os passos da mãe, a quem presta uma homenagem em seu mais novo disco, ‘Baile de Máscara’. Ela vai pela linha do samba, mas escapando de obviedades e trilhando um caminho próprio, com bastante personalidade e com atmosfera contemporânea. O clipe, idealizado pela própria artista, é um passeio pelas ruas do Rio de Janeiro durante a pandemia do coronavirus.

Vandal Feat. Heavy Baile: 100

(Bahia – instagram.com/vandaldeverdade)

Cada vez mais consolidado e conhecido, o rap baiano tem Vandal como um de seus nomes mais interessantes. Famoso pelas participações bombásticas nos shows do BaianaSystem, o veterano rapper vai muito além. Com uma sonoridade bastante contemporânea, que passa por grime, bassline, trap, pagode baiano e experimentalismos, o soteropolitano faz críticas ácidas e fortes, com letras irônicas e pesadas e lírica incomum. Tudo isso impulsionado por um modo agressivo no canto e uma dedicação especial na produção audiovisual, como nesse novo clipe da música “100”, que conta com participação do Heavy Baile.

Cuscobayo – Desafogo

(Rio Grande do Sul – cuscobayo.bandcamp.com)

Os sons sulamericanos perpassam a obra dessa banda gaúcha, que prepara o segundo disco ainda para esse ano. A Cuscobayo faz uma espécie de folk, tendo como base sonoridades dos pampas, do Prata e da Cordilheira, com um tempero da música brasileira. Canções com violão, cajón e trompete e uma atmosfera de quem quer mudar o planeta, como repetem numa espécie de mantra nesse single/clipe do novo disco: “a arte vai salvar o mundo”.

Bia Ferreira – Boto Fé

(Sergipe – facebook.com/BiaFerreiraOficial)

Ativista com discursos fortes contra racismo e machismo, a cantora, compositora e multi instrumentista faz música brasileira preta, com letras certeiras, sem concessões e um canto e violão marcantes. Esse clipe resume sua musicalidade com uma produção caprichada flertando com o afrofuturismo.

Caio Castelo – Partir também é chegar

(Ceará – caiocastelo.com)

Um dos caminhos que a música brasileira tem conseguido trilhar de forma bem sucedida é um misto de folk pop mpb, com nomes como Cícero, Anna Muller e Tiago Iorc. Cantor, compositor, músico e produtor musical, o cearense Caio Castelo é outro nome que produz uma música calcada nessas sonoridades. Ele é um dos destaques de um cenário cearense interessante e ainda pouco comentado. Esse clipe mescla animação com imagens filmadas para criar a atmosfera proposta pelo artista.

Flaira Ferro – Lobo, Lobo

(Pernambuco – flairaferro.com.br)

A cantora e compositora recifense apresenta uma mescla de sonoridades, que vai do frevo ao rock, do maracatu ao pop, passando por música eletrônica e samba. Sem se ater a rótulos, ela apresenta uma música marcada por letras afiadas que trazem discursos políticos e existenciais. É música brasileira provocativa, carregada de humor e raiva. Esse clipe, que ela co-assina a direção e montagem, integra seu segundo disco, ‘Virada na Jiraya’.

Abacaxepa – Picadinho

(São Paulo – abacaxepa.com.br)

A cena musical paulista é dividida em vários sub movimentos independentes entre si. Um deles aglutina nomes como Francisco El Hombre, Samuca e a Selva, As Bahias e a banda Abacaxepa, talvez a menos conhecida delas. Em comum, uma sonoridade pós-tropicalista, com influências diversas da música brasileira, que vão do rock e uma música mais urbana a gêneros mais tradicionais e rurais. Em seu primeiro disco, a Abacaxepa tem trabalhado bem em clipes, como esse, feito por uma equipe formada completamente por mulheres.

Jonathan Tadeu – Penso e Perco Tempo

(Minas Gerais – jonathantadeu.bandcamp.com)

O rock triste ainda tem vez na música brasileira. O mineiro Jonathan Tadeu é um dos nomes proeminentes desta nova cena. Ele faz um indie rock melancólico, que remete à produção dos anos 1990, mas tem um frescor das produções lofi da contemporaneidade. Melodias, guitarras, teclados, baterias programas se cruzam com letras e atmosfera nostálgicos. O clipe caseiro em P&B resume bem o espírito proposto por Jonathan.

Jortacio – Conta-Gotas

(Rio Grande do Sul – instagram.com/jortacio/)

O cantor e compositor gaúcho já tinha lançado dois discos como vocalista e guitarrista da banda Renascentes, mas esse ano estreou na carreira solo com o EP ‘A Máquina’. Produzido por Guilherme Ceron e Ian Ramil, o trabalho reúne quatro músicas, agora tendo como base o violão e uma musicalidade mais próxima da música brasileira. Uma delas ganhou esse bonito videoclipe, totalmente idealizado produzido por mulheres.

Rhaissa Bittar e Estesia – Toda vez que eu dou um passo o mundo sai do lugar

(São Paulo – rhaissabittar.com)

Já com uma longa trajetória, com 10 anos de seu primeiro álbum e com três lançados na carreira, a cantora, compositora e atriz paulista apresenta um trabalho diferenciado. Seu mais recente disco ‘João’, por exemplo, traz referências amplas em arranjos minimalistas, com poucos e inusuais instrumentos, como n’goni, zig-zun e glockenspiel, e interpretações quase faladas. No repertório, reúne composições de nomes como Jorge Ben Jor, Mauricio Pereira, Zé Manoel, Vitor Ramil, Isabela Moraes, Paulo César Pinheiro, Arthur de Faria, Daniel Galera e Siba, que ela recria, ao lado da banda pernambucana Estesia, nesse criativo clipe.

Juvenil Silva – Regalia

(Pernambuco – juvenilsilva.bandcamp.com)

O cantor e compositor Juvenil Silva é um daqueles artistas cheios de referências, que parece não se satisfazer com rótulos. Ele produz um rock autoral autenticamente brasileiro, mas vai muito além disso. Rock com folk, psicodelia, groove, mas também reminiscências da música brasileira, que vão de Raul Seixas, Tropicalismo e até ritmos como ciranda e música latina. Um rock que pode soar pop e experimental, sem fronteiras e bastante autoral, como nesse criativo clipe gravado durante a pandemia.

Moons – Sweet & Sour

(Minas Gerais – moonsmusic.net/)

Na cena contemporânea do rock brasileiro, a banda Moons é uma das mais interessantes, com um folk espacial e introspectivo de primeira. As referências britânicas encontram a música mineira resultando numa sonoridade minimalista e delicada, com letras em inglês. Esse videoclipe é extraído de uma música do mais recente álbum da banda, ‘Dreaming Fully Awake’ (2019), e traz as sutilezas da vida comum de um casal. Um novo EP é prometido ainda para esse ano.

Sandyalê – Tateia

(Sergipe – facebook.com/sandyaleoficial)

A sergipana Sandyalê surgiu meio que emulando Céu, com uma proposta musical tropical e solar, mas mergulhou em sonoridades mais sombrias após se mudar para São Paulo. Após seu álbum ‘Árvore Estranha’, de 2019, a cantora e compositora lança agora um novo single que aponta para um meio termo. Cerebral e dançante, o pop sintético “Tateia” é o primeiro de uma série de três lançamentos que acontecerão até o fim do ano através da Aceleração Musical Labsonica – edição Toca do Bandido.

YAN CLOUD – BAFANA

(Bahia – youtube.com/yancloudoficial)

A cena musical baiana ganhou uma justa projeção nos últimos anos e não para de apresentar novidades. O rapper Yan Cloud é um desses novos nomes. Com apenas 22 anos, ele se utiliza do rap para trazer trap, funk carioca, ritmos africanos e pagodão baiano, numa sonoridade híbrida contemporânea negra. Nas letras, ele aborda o cotidiano do jovem soteropolitano, sem deixar de lado as questões sociais e raciais. A música do belo clipe “Bafana” é uma das faixas de seu mais novo disco, ‘Pinkboy”.

Se preferir todos os clipes sem pau, veja pela playlist:

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