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O samba reinventado de Romulo Fróes

Paulista filho de baiano, Romulo Fróes prepara novo disco com um pé no samba e braços abertos para a música brasileira.

Mesmo sem ganhar maiores destaques na grande mídia, incluindo, infelizmente, as rádios, uma nova geração vem se consolidando e mostrando – ao contrário do que muitos pensam – como anda fértil a produção musical brasileira. Entre tantos nomes, um dos que ganha destaque é o de Romulo Fróes, um paulista filho de baiano, com pé no samba e braços abertos para a música brasileira, em suas diversas vertentes.

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Ele vem se notabilizando pelo seu modo triste de cantar e pelas composições que cria, gravadas por ele mesmo em seus três discos e regravadas, especialmente, por vozes femininas.

Depois de lançar, em 2009, o elogiado álbum duplo “No Chão Sem o Chão”, e aparecer com ele em várias listas de melhores discos do ano, Romulo trabalha agora em seu quarto disco, que, segundo ele, deve ter um sotaque diferente, com um samba mais swingado.

Intérpretes

Romulo Fróes

Romulo Fróes

Além do novo trabalho, ele deve ganhar destaque em 2010 com algumas de suas composições recebendo interpretações de um time respeitável de cantoras dessa nova geração. Entre elas, estão Nina Becker, uma das cantoras da Orquestra Imperial, a baiana Manuela Rodrigues, a cearense Mona Gadelha, além de Thaís Gulin, Thalma de Freitas e Vange Milliet.

“É extremamente excitante ver o que outra pessoa pode fazer com uma canção sua e no centro de algo mais pessoal que alguém pode ter, que é a voz. As cantoras ainda são o motor da canção brasileira, são elas que fazem ecoar por aí as canções e eu estou sempre querendo entrar em contato com as que mais admiro na minha geração”, diz Romulo, que considera as parcerias como experiências riquíssimas de criação, seja com outros compositores, músicos ou cantoras.

Letras – Compositor de mão cheia, Romulo divide com parceiros a responsabilidade por suas belas criações. Entre os principais estão Nuno Ramos e Clima, dois artistas plásticos cinquentões (o primeiro, também, chefe de Romulo), que se revelaram letristas sintonizados com a música brasileira atual.

Letras inteligentes, quase sempre abstratas, que se encaixam na proposta de Rômulo de resguardar o samba e a canção brasileira sob uma ótica contemporânea.

“Como não faço letras, pelo menos não ainda, preciso de parceiros para fazê-las. Então, de tempos em tempos, tento dar uma driblada no meu processo de criação. Já teve a fase de musicar uma letra que já existia. A fase de mandar uma melodia para que alguém pusesse letra. A fase de fazer juntos música e letra. Enfim, é de todo jeito, pra manter o projeto vivo e interessante”, diz.

Se o processo varia, sua música resulta sempre em belas composições com forte tom melancólico, que trafegam pelo samba tradicional, mas sem soar nostálgico, apontando para frente.

Canções tristes, mas bonitas e cantaroláveis, na linhagem do velho samba de gente como Nelson Cavaquinho e Batatinha, que interpreta se atendo mais ao modo do que à técnica.

Apontado por muitos como desafinado, Rômulo parece não se importar muito com isso. Ele realmente não prima pela extensão vocal, o que não é um problema, já que não é necessariamente o que pede sempre o samba e a força da canção brasileira. Detentor de um repertório valioso, ele dá vazão a sua própria obra por meio da emoção e do modo sincero com que canta.

No álbum de 2009, “No Chão Sem o Chão”, como que para fugir do rótulo de sambista, resolveu apostar em novos ares, experimentando mais explicitamente influências do tropicalismo e do rock. Entrou no estúdio com uma banda e lançou um disco primoroso, com os arranjos mais trabalhados e a guitarra ocupando um bom espaço, antes exclusivo do violão.

Não abandonou, porém, o samba e, muito menos, o foco em boas composições.

Novos parceiros

Em 2010, Romulo segue com novos trabalhos, com os quais deve se fortalecer como um dos principais compositores da nova geração. Aposta, também, em novas parcerias, seja com as cantoras citadas, seja com novos companheiros de composição.

Uma delas é com uma outra revelação do samba paulista, Rodrigo Campos que, no novo disco de Rômulo, toca cavaco, violão e percussão, além de dividir a autoria de três canções.

Outra é a baiana Manuela Rodrigues que, em seu segundo disco, vai lançar uma inédita de Romulo com Clima, “Uma Outra Qualquer”, e uma outra fruto de uma parceira do paulista com a baiana, chamada “Por um Fio”.

Desafios – Seja através de seu novo disco, seja pelos trabalhos com as cantoras, Romulo deve chegar aos ouvidos mais atentos em 2010. Certeza de boas canções para reforço e manutenção da velha tradição da música brasileira.

Segundo Romulo, o trabalho dos compositores e a criação de novas canções permanecem fundamentais para a música. Isso mesmo em tempos de internet, com pouco retorno financeiro dado para a música e em que se fala da morte da canção.

romulo_capa Romulo Fróes“A música precisa ser renovada sempre e os compositores estão aí pra isso. Não quero entrar no mérito das relações mercadológicas atuais. Quem precisa fazer música, por uma necessidade íntima, não vai deixar de fazer por questões financeiras. É claro que merecemos, todos, sermos recompensados por nosso trabalho como qualquer outro profissional, mas precisamos entender que estamos dentro de um processo de total transformação no negócio da música e quem passar por esse momento, certamente encontrará novos meios de se viver de música e será recompensado por sua perseverança”.

3 Comentários

  1. Iury Batistta Reply

    Uma correção; o nome do disco é “no chão sem o chão” e não “no chão até o chão”.

    “no chão até o chão” deve ser o nome do disco de alguma banda de pagode! rs

    O som de Romulo é muito bom!

  2. Pingback: Wado - um dos ícones da nova música brasileira | » Para quem gosta de música sem preconceitos

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