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Maglore e Peu Meurray dão o tom baiano no segundo dia do festival Conexão

No segundo dia de shows, Conexão BH recebeu ritmos diversos, indo do rap ao indie rock, com baianos marcando presença.

A Bahia foi um dos destaques do segundo dia do festival Conexão BH, na última quinta-feira (30), no Parque Municipal, em Belo Horizonte. Depois de uma noite de abertura basicamente de pop rock, desta vez a diversidade foi a marca do evento, com indie rock, rap, pop, samba reggae e o samba soul numa homenagem especial a Marku Ribas. A proposta de criar e focar em conexões, aqui mais visível na parceria entre artistas, mostrou ser mesmo um grande diferencial do evento com uma mistura de sonoridades e de público.

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Independente, Conexão BH promove shows e começa destacando o pop/rock

Apresentando pela primeira vez ao vivo seu novo disco, “Vamos pra rua”, a baiana Maglore mostrou estar em casa em Belo Horizonte, com o público cantando junto os hits do trabalho de estreia e já acompanhando as novas. Curto, o show revelou os novos caminhos que o grupo tomou, abrindo o leque de influências e indo além do simples pop rock. Como convidado, a Maglore recebeu o cantor Wado para uma participação especial, repetindo a parceria do disco da banda baiana na ótima “Nunca mais vou Trabalhar”.

O outro nome baiano na noite foi o cantor e percussionista Peu Meurray. Mais centrado e menos espalhafatoso que de costume, o músico mostrou seu já tradicional trabalho com percussão feita com pneus e uma música que trafega por vários ritmos da música negra brasileira. Aos poucos conquistou o público, botando todo mundo para dançar, como se estivesse no Pelourinho. Magary contribuiu para o clima, principalmente quando mandou o hit “Inventando Moda”.

Também apresentando músicas do novo trabalho, a local Transmissor apostou em seu som meio folk indie, num show que ganhou vida com a participação do carioca Cícero. Nestes momentos se percebe como, mesmo sem tocar em rádio ou frequentar a mídia, um artista consegue tornar sua música conhecida só com a força da internet. Reverenciado pelo público, teve suas música acompanhadas em peso pelo público.

Um dos bons momentos desta segunda noite foi, no entanto, o duelo de MC’s, que servia como eliminatória para vaga na decisão nacional. Rap, rimas e desafios de tirar o fôlego, com a plateia participando, entrando no clima e ajudando a definir os vencedores. Em paralelo, um outro palco recebia grupos de samba e música latina, enquanto em outro espaço acontecia discotecagem e blocos de carnaval passavam se apresentando, com destaque para o Baianas Ozadas, entoando sucessos de carnavais antigos a base de percussão, guitarra baiana e uma bike elétrica.

Homenagem
O melhor da noite ficou para o final, com o projeto Sala da Toscaria na Base mandando, em alto nível, improvisações com a música brasileira. A proposta é fazer um laboratório experimental de grandes discos brasileiros, com recriações improvisadas ao vivo com contribuição de convidados. Já realizado em outras oportunidades em BH, recriando discos como “Transa” de Caetano, com participação de Fernando Catatau, dessa vez o foco era a obra do finado Marku Ribas, mestre do samba soul brasileiro.

Afinadíssima, criando ao vivo a partir de sonoridades de Ribas e injetando experimentações, a banda mostrava como uma ideia simples pode se tornar algo sensacional. A contribuição de BNegão foi crucial para isso, assumindo o papel de bandleader, soltando músicas suas e do Planet Hemp em meio às canções originais de Ribas. No mesmo nível a filha do homenageado, Julia Ribas, mostrava o sangue quente musical, com uma voz sensacional e uma entrega emocionante, evocando os espíritos do pai e dos antepassados negros.

A ideia de conexão do evento se estende também para conectar o festival com outras programações pela cidade. Todas as noites, após os shows no Parque Municipal, por exemplo, rolavam eventos numa casa de shows e festas. Nesta quinta, o pós ficou por conta do show da Dibigode. Uma surpreendente banda instrumental que fez um grande show, na linha pós-rock, meio Tortoise, mas inserindo elementos além dos óbvios deste ambiente, criando até um frevo torto no final do show.

Também surpreendente e muito interessante foi perceber o bom público presente acompanhando e mostrando conhecer o som da banda. Aliás, uma das boas marcas de Belo Horizonte é a receptividade a artistas novos.

*O jornalista Luciano Matos viajou a convite da produção do evento.

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