Para quem gosta de música sem preconceitos - el Cabong

“entre aspas”


No mundo da música além de ouvir canções e discos, é sempre bom acompanhar discussões e ler o que falam sobre mercado, carreiras, cenários, até para entender melhor que universo é esse que admiramos muito e muitas vezes não compreendemos tanto. Músicos, produtores, jornalistas têm aqui resumido algumas falas interessantes que chamaram atenção nos últimos meses. Se lembrar de outras falas pertinentes deixe sua contribuição no espaço para comentários lá embaixo.

“Eu sou MB. O P fica para o Luan Santana, Ivete Sangalo… Eu não sou popular. Sou um velho chato.”

Dori Caymmi em entrevista ao Programa Sem Censura

“Não adianta CPI do Ecad sem fazer a CPI das Comunicações. Rádio que não paga direito autoral deveria perder direito de concessão”

Gerônimo em depoimento na Assembléia CPI do Ecad.

“A Cena Independente não tem nada a ver com o Mainstream, não é você cresce na cena indie e vira maistream, são 2 coisas que acontecem paralelas”

Copacabana Club.


“A briga de agora é bizantina, à medida que ocorre entre gente parecida que deseja (ou desejou) os mesmos destinos altivos para o país. Quando tribos indígenas guerreiam entre elas, quem esfrega as mãos de contentamento são o velho eixo e os mantenedores da cada dia mais pálida casa-grande”.

Jornalista Pedro Alexandre Sanches sobre a briga do Fora do Eixo, Abrafin, Pernambuco em texto em seu site Farofafá.

“É uma merda. Mas o segundo álbum de todas as bandas que contratei fracassou horrivelmente, e ninguém sabe o motivo. Ao assinar uma banda, a gravadora toda se anima, mas assim que as coisas começam a sair errado os sacanas todos correm de lá e só resta o executivo que os descobriu”.

Executivo de gravadora sobre os fracassos dos segundos disco em matéria da Folha de São Paulo

“O rádio ainda é a resposta. Sem apoio das rádios, você roda. É possível se recuperar dessa situação, mas é preciso ter em mente que a nova novidade sempre entusiasma mais que a novidade da semana passada”

Feargal Sharkey, ex-vocalista do Undertones e agora diretor da UK Music, uma associação setorial da indústria de música britânica, na mesma matéria acima.

“Quem é Rihanna? É aquela que apanhou daquele menino rapper? Ah, coitada! Acho ótimo e não tenho problema com isso. As pessoas que gostam de imitar os outros… Comecei imitando Núbia Lafayette”

Alcione em entrevista ao site do Domingão do Faustão em resposta a Rihanna, que havia dito pelo Twitter que esperava não estar como a cantora brasileira aos 50 anos, quando foram feitas comparações entre as duas.

“Não existe isso de época boa, você pode ouvir música dos anos 60 e 70 a qualquer hora e, aliás, só ouvir isso se quiser. Se a pessoa sente falta de época é um problema particular, mas na verdade, muitos sentem falta das circunstâncias e se confundem”

Jornalista e radialista Roberto Maia em entrevista ao site Collectors Room.

“Já deu tempo de entender este mundo novo, agora é preciso voltar a falar de música”

Rômulo Froes em entrevista no Scream & Yell.

“Se há uma coisa a aprender sobre esta geração é que ela não possui nem uma só voz nem um só pensamento sobre a música brasileira”

O mesmo Rômulo Froes em entrevista no Scream & Yell.

“Tento não demonizar a indústria, afinal, foi dentro dela que se produziu a grande música brasileira, de Carmem Miranda à Marisa Monte. Mas é fato que ela perdeu o rumo da história, passou por cima de todo e qualquer pensamento que não fosse o do lucro fácil, rápido e descartável. Este é um dos motivos para sua crise. Neste modelo de indústria que vivemos hoje, minha geração definitivamente não se encaixa, mas criamos condições para sobreviver sem ela. Não podemos deixar de admitir que faz falta a estrutura que a indústria detém. Mas o fato é que não existe mais a possibilidade de se desenvolver um trabalho com propósitos, digamos, artísticos dentro da indústria.”

De novo Rômulo Fróes, (Já deu pra perceber que você deveria ler a entrevista do cara no no Scream & Yell)

“Quando os shows acabaram, o Marcelo Camelo falou: ‘Pô, Wado, você tem uma missão… Continua, vê o Van Gogh…’. Eu disse a ele: ‘O Van Gogh arrancou as orelhas, eu quero ter uma vida confortável’. Na hora eu não falei, mas fiquei pensando em casa: ‘Para ele que é o Picasso é fácil querer que alguém seja o Van Gogh. Mas eu não quero ser o Van Gogh – eu quero ser o Picasso também”

Wado, em entrevista à Gazeta de Alagoas

“Hoje, dificilmente, se conseguem senhoras para a ala das baianas nas escolas de samba. Elas estão nas igrejas evangélicas, proibidas de sambar. Não se vê mais garoto com tamborim na mão, vê com fuzil. O samba perdeu espaço para o funk. Isso tem tudo a ver com a CIA, que quer acabar com o samba!  (…) É uma luta contra a cultura brasileira. Os EUA querem dominar o mundo através da cultura. Essas armas dos morros vêm de onde? Vem tudo de fora. Os EUA põem armas aqui dentro para acabar com a cultura dos morros, nos fazendo achar que é paranoia da esquerda. Mas não é, não”

Beth Carvalho em entrevista ao iG

“Existe um preconceito velado. Escrevi para os nazistas da música, que são cartesianos, aristotélicos. Fiz para os jornalistas que são xiitas. Eles pensam que têm que colocar os estilos separados na prateleira. Eles não têm o menor conhecimento musical, conhecem cinco ou seis bandinhas de rock e se acham conhecedores. Eles têm poder de veto. Isso é perigoso para a música. Não falo contra os roqueiros.”

Jorge Vercillo em entrevista ao G1

“Uma grande parte do público é como um cabrito (risos), e você que é jornalista sabe disso, não tem muito senso crítico, querem pertencer a um grupo. Elas querem ser “in”. Existem outras pessoas para as quais a música é vital, que mergulham no universo sonoro, procuram algo que lhes parece mais consistente. Mas para muitos a música é o que ele ouve no rádio, indo pro trabalho”

Marcelo Nova, em entrevista ao site iBahia.

5 Comentários

  1. Zé Henrique Reply

    A frase da Beth Carvalho é esdrúxula e a do Wado é tocante.
    Gosto muito dessa do T.S.Eliot sobre música.
    Não tem nada a ver com mercado, rádios, modismos…
    Mas…

    ” Você é a música enquanto ela durar”

  2. Johanna Reply

    “Acho que as empresas que patrocinam os projetos selecionados pelo MInC não deveriam saber em qual deles a sua verba será empregada. Porque é dinheiro público, dinheiro de imposto, dinheiro que poderia ir para saneamento básico, educação, saúde, segurança, enfim. O que acontece hoje em dia é que a empresa acaba usando este dinheiro para se autopromover, apoiando um artista que já tem certa visibilidade e que irá valorizar a sua marca. Acho que se alguém quer incentivar a cultura, beleza, incentive, mas sem este processo seletivo, de apadrinhamento. É mais lógico, senão a empresa acaba transformando o dinheiro dos impostos em marketing. Esta é a minha opinião. Acho que tem que ter incentivo à cultura sim, porque para o artista independente é muito mais difícil conseguir realizar qualquer coisa. Deveria haver uma banca rotativa no Ministério da Cultura que selecionasse os projetos e barrasse os que envolvessem artistas já estabelecidos e com nomes fortes no mercado. Ou então que obrigassem a ter um cunho social, não cobrando ingressos ou fazendo shows a preços populares. Aí sim! O que não dá para admitir é que alguém pegue dinheiro público e ainda cobre caro pela entrada! Pelo menos é assim que eu penso, cara.”

    Gui Amabis, em entrevista pro blog Banda Desenhada (http://bandadesenhada01.blogspot.com/)

  3. rodrigo sputter Reply

    Pior que a frase do Dory pode soar a favor e contra ele-hehehehe.
    O que Gerônimo falou é bem interessante…mas certamente o tanto que uma música de certo artista passa vai depender de muita coisa além da música em si…e o valor de cada artista se mede como tb?
    Claro não se pode comparar o dinheiro pago pra um Beatles e um artista de rock soteropolitano…mas quem vai mensurar o “valor artístico” de cada um? Tem amigo meu que nem de Beatles gosta por exemplo…e aí?
    Essa porra de briga de fora do eixo eu nem quero me meter…comentei até sobre isso no rock lock de Chico Castro…no me gusta.
    Sobre o que o Feargal disse…faz um certo sentido pra quem quer ficar na onda…mas o último programa de rádio que eu ouvia regularmente era o LET´S ROCK de Marcelo Nova e eu tinha 14 anos…acho que hj em dia não ouviria nenhum…nunca fui fan de rádio…usei + pra ouvir jogo de futebol do que qq outra coisa…
    Interessante o que o Roberto Maia disse…pra mim essa coisa de época melhor ou pior é pessoal…moda sempre existiu, copiar os outros também, mas que na música uma “novidade” não surge há umas décadas, isso é…mas o + importante é o artista ter uma “identidade”…ser orignal é pra poucos…e olhe lá…
    O que é música brasileira pra Rômulo Froés?
    interessante a fala dele na 3 aspas…mas num vi nada de novo no que ele falou…
    nada disso vai mudar, sempre rolou revistas/mídias de pequeno/médio/grande porte…e quem tem acesso, gosta, dessas mídias vai se influenciar (ou não) do q elas falam…
    ri muito com o que Wado falou…não deveríamos querer ser ninguém, deveríamos tentar ser esse caldeirão que nós somos…
    Pou Beth, isso é culpa do Fogão que tem aquelas bragas…mas relaxa, vai no engenhão curtir um futebol…heheheheh…essas teorias de conspirações são uma onda…num duvido de nada nessa vida…mas até parece que nenhum cultura no mundo foi extinta…não gostaria que o samba fosse, principalmente o velho, muito antes dela por sinal…mas é só dar uma folheada em DECADÊNCIA DO OCIDENTE, ou O HOMEM E A TÉCNICA do Oswald Spengler que vc percebe que toda civilização tem seu nascimento, apogeu e declínio…tanta coisa que se perdeu nesse mundo que nem soubesses na história da humanidade…muito + complexo, ou idiota, que imaginemos…
    tem um pouco de “verdade” sim no que o Vercilo disse…mas se ele estivesse numa banca filosófica acadêmica tava fudido com as expressões cartesianas e aristótelicas comparadas ao nazismo…como eu num sou disciplinado o suficiente e fui um aluno + ou – da faculdade de filosofia num posso rebatê-lo agora-hhhehe…e tou cagando pra academicismos…mas pra quando vc fala é bom ter embasamento…

    Concordo em partes com o Marcelo…mas ser punk por exemplo já foi IN, moda na Inglaterra dos anos 70 por exemplo…ser Mod, Rocker, Skin…e em algumas épocas vc ligava o rádio e o rockabilly, o R&B e outras coisas do meu agrado e do dele, tocava direto nas rádios…

  4. rodrigo sputter Reply

    ando descrente demais com as coisas…incrédulo…creio q deveríamos “apenas” realizar, produzir as coisas…idéias claro que são legais…existem milhares de livros/filmes/discos para nos deliciarmos…quanto + escuto-os descubro que num sei porra niuma…sempre vc vai acreditar que está falando uma coisa genial e terá alguém para lhe rebater, por inveja, ódio ou por ter uma visão diferente…portanto deveríamos falar menos e fazer mais.

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