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Vapor SSA vol. 2: O novo trabalho de Galf AC e Gil Daltro

Dando seguimento às resenhas de discos lançados por artistas baianos, analisamos o novo trabalho da dupla Galf AC e Gil Daltro, o EP ‘Vapor, Vol. 2’.

Texto de Ivie Leone

A dupla Gil Daltro e Galf AC está presente na cena do Rap baiano desde 2016, quando fez parte do coletivo Fraternidade Maus Elementos. Esta foi uma banca de peso na cena do Rap soteropolitano, que contava com nomes conhecidos, tais como: Victor Haggar, Felipe Oddish, Diego 157, Lucas Kinté, Gold, Dj Rani, Marcio M.U. e Tiago Negão. Com o fim do projeto, Gil e Galf continuaram com uma parceria que, em 2018, culminou no projeto Vapor SSA.

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Por definição, vapor é um conjunto de partículas difusas ou suspensas no ar. Não tem forma definida e está sujeito à mudança de estado de acordo com a pressão. É exatamente assim que funciona o processo criativo neste projeto. A depender da pressão, pode resultar numa lírica direta, carregado nas críticas sociais, ou num trap pagodão destacadamente soteropolitano. O conceito do projeto varia de acordo com o momento em que eles se encontram para fazer som fora do que tradicionalmente fazem em seus discos solos ou que faziam juntos no Fraternidade.

Enquanto o primeiro volume teve o principal single com clipe gravado no 2 de fevereiro, em Salvador, com produção de Calibre e fortes elementos do pagodão, o volume 2 traz novas referências musicais e participações de diferentes beatmakers. Este novo trabalho tem como proposta se lançar como álbum visual, com 3 faixas bem distintas entre si, na lírica e nas influências rítmicas. Numa conversa, a dupla fala sobre a fluidez na criação dos álbuns:

“Vapor é a união das nossas várias influências e afinidades musicais. O projeto foi criado dentro desse conceito de lançarmos alguns volumes e sempre diversificando as canções umas das outras, flutuando de acordo com o momento em que estamos criando, numa proposta bem etérea mesmo”

Para falar sobre influências nesse trabalho, é importante dizer que Gil e Galf também têm em comum as raízes no hardcore, uma vez que os dois passaram por diferentes bandas baianas do gênero. Galf, que hoje integra um dos mais expressivos coletivos de rap em Salvador, a Ugangue, já esteve no vocal de grupos de Grindgore. Esse repertório do rock underground está sempre presente nas letras do rapper, que equilibra flow e crítica ácida, demonstrando toda sua versatilidade. A trajetória de Gil no hardcore teve início em 2001 e, desde que se mudou pro sul do país, ele dá a voz soteropolitana na banda “All the System Falls”.

Em meio a projetos de rock, coletivo de rap e carreira solo, Gil e Galf não abrem mão de realizar um projeto em conjunto. O Vapor funciona como um laboratório, onde estão livres para experimentar novas referências e reunir diferentes repertórios. Eles contam que neste segundo volume, há muita influência dos tempos da Fraternidade Maus Elementos tanto na música “Não Entro em Nada”, quanto em “La Haine”, que apresenta um som com novos elementos, muito inspirado nas produções da Griselda Records, um coletivo de rap e gravadora nova-iorquina. A última das 3 faixas do disco é representativa e vem pra coroar uma identidade ao projeto. “SSA” tem um instrumental de trap com uma letra e uma levada próprias de composições soteropolitanas. O resultado da obra é a reunião de elementos do boom-bap, trap e bases instrumentais com a presença de guitarras.

O disco está disponível nas plataformas de streaming de música, e os clipes de “Não entro em nada” e “La Haine”, disponíveis no YouTube:

Não entro em nada

A primeira faixa do álbum, lançada como single no início de setembro. A música tem Pig na produção do beat e o pessoal da StreetWalker no audiovisual. O clipe foi gravado nas cidades de Itajaí e Balneário Camboriú, em Santa Catarina, onde Gil reside hoje.

La Haine

La Haine foi o segundo clipe, lançado no dia 16 de outubro. O clipe tem produção audiovisual da Kura Films, com cenas gravadas na cidade de Florianópolis, Santa Catarina. Gil Daltro e Galf AC produziram letra e beat e a masterização ficou por conta de Quavase. O solo de guitarra acompanha a letra direta, que é um manifesto sobre a Era da Pós-verdade e os tempos sombrios.

SSA

Na última faixa do disco os elementos do trap estão muito presentes, trazendo uma atmosfera mais parecida com o que vimos no primeiro volume.

Este encontro, que aconteceu em Santa Catarina, ainda rendeu a gravação do próximo disco solo de Galf. Ficamos no aguardo dos próximos passos, com um spoiler: em dezembro, a dupla se encontra em Salvador.

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