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Salvador celebra música de vanguarda no CMC Festival

Realizado de 12 a 14 de dezembro, evento tem como um dos destaques o projeto Uma Ponte entre a Noise Music e o Samba-Reggae.

A Bahia está com um cenário musical efervescente, não só com novos artistas, muitos discos e shows, mas também com uma grande profusão de festivais (como já dissemos aqui em postagens anteriores). Nos próximos dias, entre 12 e 14 de dezembro, acontece mais um, é a vez do Ciclo de Música Contemporânea – CMC Festival 2018, que aposta numa vertente mais ousada, a música de vanguarda ou experimental. O evento, que chega a sua segunda edição, vai reunir artistas brasileiros e internacionais como Arto Lindsay (Estados Unidos), Julien Desprez (França), Luca Forcucci (Suiça), Cara Stacey (África do Sul) e Analog Africa (Tunísia). Promovido pela Low Fi – Produtora, o evento será realizado no Teatro Vila Velha e no Goethe Institut Salvador-Bahia.

Com foco na música experimental, new jazz, arte sonora e improvisação livre, o CMC busca mapear e dar visibilidade aos artistas que compartilham meios e procedimentos composicionais ligados à esse tipo de música na Bahia, no Brasil e no resto do mundo. Para EdBrass Brasil, um dos organizadores do evento, “o festival é uma celebração da diversidade e da postura de vanguarda que historicamente caracterizou a cultura produzida no nosso estado”. Além de sediar o evento, a Bahia estará presente com nomes como Junix 11 e Andrea May, que unem suas pesquisas sonoras e visuais na performance RE:FORMA (live); João Milet Meirelles (BA), que se apresentará ao lado do goiano Bruno Abdala; além do grupo Tambores do Mundo, formado por percussionistas do Ilê Aiyê, que você lê mais alguns parágrafos abaixo.

Para Edbrass, Salvador tem tido uma ótima receptividade para um evento desse tipo. “A cidade tem abraçado a proposta positivamente e apostamos no apoio do público, que vem prestigiando os eventos da Low Fi _Produtora desde 2014. De uns anos para cá, estamos conseguindo recolocar Salvador no mapa dos lugares possíveis para se tocar no Brasil, ao menos para esse segmento da música experimental, que já conta com excelentes festivais do gênero no Rio (Novas Frequências e Anti-Matéria), São Paulo (FIME, Improfest) e Kino Beat, em Porto Alegre, para citar alguns”.

Na primeira edição do CMC, em 2017, o festival reuniu artistas do Canadá, Alemanha, Suíça, Senegal e Brasil, apostando num recorte curatorial que privilegiava o encontro entre a produção afro-diaspórica e de vanguarda produzida na Bahia e artistas (Duo-Bavi, José Balbino e Mateus Aleluia Filho, Novos Cachoeiranos) pertencentes ao contexto da música criativa produzida no resto do globo.

“Em 2018, a curadoria do Ciclo de Música Contemporânea aposta em problematizar a questão dos territórios, das fronteiras, das margens, propondo um encontro entre as tradições e as vanguardas musicais, borrando distinções com outras pulsações”, explica EdBrass. Para isso, serão promovidos, além da residência artística do músico francês Julien Desprez, 2 “Painéis de Inventores” e 6 concertos levando para o público 14 artistas de destaque no cenário da musica experimental.

Um dos destaques é o projeto envolvendo os guitarristas Arto Lindsay, Julien Desprez, Thiago Nassif e o grupo Tambores do Mundo, formado por percussionistas do Ilê Aiyê. A ideia aqui é a formação de uma orquestra híbrida, criando um elo entre a tradição afro-brasileira e a cultura experimental urbana, proporcionando a criação de um espaço de diálogo e improviso entre as duas culturas.

Outro destaque é o encontro entre o artista sonoro suíço Luca Forcucci e a compositora e musicóloga sul-africana Cara Stacey, que apresentam a obra audiovisual B(l)(e)(e)(n)dings. Resultado de três anos de intensa exploração e colaboração em várias regiões da África Austral (Moçambique, Suazilândia, Limpopo,
Joanesburgo, Pretória, Cidade do Cabo, Durban e Costa Leste), a peça explora e instiga um diálogo entre a combinação de formas ancestrais de música e instrumentos africanos com formas eletroacústicas ocidentais de música.

Veja a programação completa:

  • 12 de dezembro, 19h
    BAILE BLACK NOISE
    João Milet Meirelles (BA) e Bruno Abdala (GO)
    Analog Africa
    Teatro Vila Velha
  • 13 de dezembro, 17h
    PAINEL DE INVENTORES
    Pedro Filho e Bruno Rohde.
    Bate-papo performado sobre arte, ciência e tecnologias ligadas às práticas artísticas contemporâneas.
    Biblioteca do Goethe Institut
    Gratuito
  • 13 de dezembro, 20h
    CONCERTOS
    Junix 11 e Andrea May (BA)
    Luca Forcucci (Suíça) e Cara Stacey (África do Sul)
    Teatro Goethe Institut
  • 14 de dezembro, 17h
    PAINEL DE INVENTORES
    Glerm Soares e Victor Valentim
    Bate-papo performado sobre arte, ciência e tecnologias ligadas às práticas artísticas contemporâneas.
    Biblioteca do Goethe Institut
    Gratuito
  • 14 de dezembro, 20h
    CONCERTOS
    Eric Barbosa (CE)
    Arto Lindsay, Julien Desprez, Thiago Nassif e Tambores do Mundo. Uma Ponte entre a Noise Music e o Samba-Reggae
    Teatro Goethe Institut

Serviço:
CMC Festival 2018 – Ciclo de Música Contemporânea
Datas: 12, 13 e 14 de dezembro
Locais: Teatro Vila Velha (12/12) e Goethe Institut (13 e 14/12)
Ingressos: 30,00 (inteira) e 15,00 (meia entrada).
Mais infos: CMC Festival 2018 

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