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Projeto traz à tona discos fora de catálogo e raridades de Ederaldo Gentil

Aos poucos, alguns dos principais nomes da música baiana vão tendo suas obras relançadas e apresentadas para as novas gerações. Batatinha, há alguns anos, e Os Tincoãs, recentemente, foram alguns dos que ganharam importantes relançamentos. Agora, um grande projeto coloca luz na obra de Ederaldo Gentil, visando a recuperação e difusão seu trabalho. Tendo à frente seu sobrinho, o músico e produtor Luisão Pereira, como diretor artístico, o projeto, que conta com patrocínio da Natura Musical e Governo da Bahia, inclui um site (ederaldogentil.com.br/ com informações sobre e a vida e obra do artista, com áudio e letras de todas as músicas, um show tributo e uma caixa com 4 discos do artistas. O box é um preciosidade e traz os três discos oficiais lançados durante a carreira, todos inéditos em CD, além de um outro com raridades.

Nascido em 1944 e morto em 2012, Ederaldo lançou seu primeiro disco, Samba, Canto Livre de um Povo, em 1975. O álbum, que de cara mostra como era seu samba cheio de versos profundos e reflexivos, incluía seu maior sucesso “O Ouro e a Madeira”. A música já havia sido lançado em 1973 como compacto e acabou sendo regravada pelo Conjunto Nosso Samba (acompanhantes oficiais da Clara Nunes), se tornando um grande sucesso nacional. A estreia trazia também parcerias com outros importantes sambistas e compositores baianos, como “Rose” com Nelson Rufino, “Pam Pam Pam” com Batatinha, “Amargura” com Paulinho Diniz, além da música que intitula o álbum com Edil Pacheco.

Em 1976, ele lança Pequenino, mantendo a mesma carga de melancolia do primeiro e, de novo, composições só dele e parcerias com ícones do samba baiano. Entre elas, estão “O samba e você” com Nelson Rufino e Memeu, “A Bahia Vai Bem” com Batatinha, “O Rei” com Paulinho Diniz, e “Manhã de Um Novo Dia” com Edil Pacheco. Nesse disco, Ederaldo mergulha mais fundo nos batuques e na religiosidade afro-baiana, além de trazer alguns dos sambas-enredo que ele fez para as escolas de samba de Salvador.  O disco conta com participações de João de Aquino (violão), Altamiro Carrilho (flauta) e Marçal (ritmista).

Na sequência, Ederaldo passou a ser gravado por grandes nomes de nossa música, como Alcione (“Agolonã”, “Feira do rolo” e “A volta do mundo”), Roberto Ribeiro (“Rose”), Jair Rodrigues (“Semear do Canto” e “Oceano de Paz”, que integrou a trilha da novela “Explode Coração”, da TV Globo), Noite Ilustrada (“De Menor”), Agepê (“A Força e o Adeus”), entre outros.

Mesmo com importantes nomes cantando suas músicas, os dois primeiros trabalhos tiveram pouco sucesso comercial e a gravadora Chantecler decidiu não lançar nenhum novo trabalho de Ederaldo. Isso justifica por qual razão só oito anos depois, ele iria lançar seu terceiro e último trabalho. Identidade saiu em 1984 pelo selo Nosso Som associado dos estúdios WR onde foi gravado. Ederaldo custeou o disco com recursos próprios e com a ajuda de amigos músicos. O álbum trazia mais composições próprias, mas também algumas parcerias, como “Luandê” (com  Capinam), “Provinciano” (com Roque Ferreira) e “Ternos da Lapinha” (com Gereba). O trabalho traz também, entre os músicos convidados, Luiz Caldas tocando bandolim na faixa “Identidade”, antes da explosão da Axé Music. O disco também não obteve os objetivos esperados e Ederaldo foi ficando esquecido e se afastando do meio artístico.

O quarto disco da caixa, a compilação Raridades, traz dez faixas de 1968 a 1981, recontando a trajetória do artista em fonogramas que estavam dispersos em coletâneas, compactos e demos. As faixas raras foram retiradas de uma caixa de sapatos repleta de fitas cassetes que Ederaldo deixou com Luizão Pereira. Na maioria são composições exclusivas do sambista, sem parceiros.

Entre elas está “Adeus Amor”, música que venceu a 16ª edição de concurso de músicas de Carnaval de Salvador no final de 1967 e que foi gravada e lançada no ano seguinte integrando o LP Carnaval da Bahia para o Brasil número dois. Também de 1968, aparece o samba-enredo, “História dos carnavais”, classificado em concurso promovido pela Prefeitura. “Oiá (Canto livre)” (com Jonas Madureira) e “Senhor Navegante” foram retiradas de um compacto editado em 1979 pela CBS, entre o hiato do segundo e o terceiro álbuns. Outra preciosidade é a demo de “Feira de Rolo”, feita originalmente para Alcione em 1977 e gravada por ela naquele mesmo ano. Outra pérola é “A Sina e a Ceia”, feita em parceria com Roque Ferreira. A música foi defendida por Ederaldo ao lado do grupo Os Tincoãs no Festival MPB Shell de 1981 da TV Globo.

Existem ainda três outros projetos fonográficos com a obra de Ederaldo. A coletânea “Vento Forte” lançada em 1989 pela gravadora Continental, mesclando músicas dos seus dois primeiros discos. O CD-tributo “Pérolas Finas” de 1999, que teve produção do parceiro Edil Pacheco, e trazia nomes como Gilberto Gil, Elza Soares, Luiz Melodia, Beth Carvalho e Jair Rodrigues cantando sua composições. E, finalmente, a coletânea “A Voz do Poeta”, de 2006, também produzida por Edil Pacheco e contendo músicas dos três discos.

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