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Papo com quem faz: Renata Hasselman, fazendo a música circular

Durante este ano, resolvemos ouvir quem está por trás dos shows, eventos e festivais que acontecem na Bahia. Como os produtores acabam não sendo tão ouvidos para avaliar e dar suas opiniões sobre a quantas anda a cena musical local, a produção de shows e o mercado, abrimos um espaço para eles. Dando continuidade a série de papos com vários produtores baianos, o el Cabong conversa desta vez com a produtora Renata Hasselman, uma das dias sócias da Multi Planejamento Cultural, ao lado de Ana Paula Vasconcelos.

Veja também:
– Papo com quem faz: Fernanda Bezerra, “Salvador tá diferente”
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– Papo com quem faz: Rogério Big Bross, um veterano focado no rock.
 Papo com quem faz:: Lídice Berman, agora em vôo próprio.
– Papo com quem faz: Joilson Santos, colocando Feira na rota.

Formada em Relação Públicas, Hasselman atua no mercado há 10 anos, passando por diversas áreas do setor cultural. Em 2009, fundou a Multi Planejamento Cultural e desde então fortaleceu sua atuação nas áreas de produção, captação, planejamento e gestão cultural. Nestes seis anos, a empresa já realizou mais de 80 ações e projetos em diversas linguagens, mas com destaque para dois que contribuem para disseminação da produção musical baiana, o Invasão Cultural, com 50 shows em quatro bairros de Salvador (a segunda edição acontece em 2017), e o Circuito Música Bahia, que já teve três edições promovendo temporadas de shows com artistas baianos na Caixa Cultural.

Renata e a Multi estão também por trás de projetos como Moraes Carnaval Moreira; Verão Luiz Caldas; Festival Musica para Brincar, produção local do show de Elton John, Festival Internacional de Ilustração e Literatura, além da saudosa webserie Mê de Música. Ultimamente, a Multi tem ampliado a relação direta com artistas, produzindo ou assessorando nomes como Bailinho de Quinta, Toco Y Me Voy e Pirombeira.

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– Como você enxerga a cena musica baiana, tanto no que diz respeito a produção local, quanto a movimentação de shows?

Acho que estamos vivendo um momento muito especial. A música produzida na Bahia tem reverberado por todos os cantos do Brasil, artistas e bandas da cena estão conquistando lugares importantes. Acredito que isso seja um reflexo do amadurecimento da nossa produção e cadeia, entretanto acho que nos falta força de articulação e ações em rede, para fortalecermos o nosso mercado.

– Qual a maior dificuldade para quem produz shows em Salvador?

A falta de espaços adequados e estruturados. Ficamos na dimensão do 8 ou 80.

“A noite em nossa cidade é recheada de opções para todos os gostos e com público.”

– Como você tem visto o papel do poder público e da iniciativa privada no apoio a este cenário mais independente?

Acho que estamos em um bom momento, temos políticas públicas estruturadas e um mercado que reconhece a nossa cena. Nos últimos anos temos uma constância de investimentos, estamos em um momento interessante e é preciso ficar atento e perceber as oportunidades, pois temos potencial para alcançarmos mais recursos.

– Você acha que existe público diverso para todos estilos musicais na cidade?

Com certeza! A noite em nossa cidade é recheada de opções para todos os gostos e com público. Cada vez mais a internet vem para confirmar que há público, pois tem contribuído e muito para chegarmos nele. Além disso, acredito que ainda temos um público que não esta em nosso radar, seja porque não tem o hábito de consumir ou porque não consegue acessar.

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A paulista Tassia Reis foi destaque numa das edições do Minavu. Foto: Natalia Arjones.

– Qual foi a grande surpresa entre os shows que você produziu, de público e artisticamente?

O show de Tassia Reis que produzimos no Solar Boa Vista, uma artista muito muito potente, foi um show em que me emocionou pela força e discurso que ela tem. Além disso, fiquei muito impressionada com o Grupo Pirombeira, que fez uma temporada de shows no Circuito Música Bahia na Caixa Cultural, a banda tem um trabalho muito bonito e apurado.

– Com quem você não trabalhou que gostaria de trabalhar? E que show gostaria de fazer e não fez ainda?

Algumas pessoas! Mas em especial Tom Zé e Chico Buarque são duas referencias pra mim. Eles estão no meu radar.

– Quais os próximos projetos e o que vislumbra de produção na área de música mais pras frente? Daqui a 3, 5 10 anos pra você?

A maternidade me despertou para a importância de trabalharmos com a formação musical para as nossas crianças, estou focada na continuidade do Música para Brincar, que já realizamos 3 edições e recentemente iniciamos uma parceria com o Grupo Canela Fina e tenho tido a oportunidade de pensarmos projetos futuros que primem pela música de qualidade, vamos desenvolver uma ceninha (rsrs). Para além das conexões afetivas, tenho refletido muito sobre a falta de projetos e ações estruturantes e a tendência de trabalharmos com projeto pontuais. A intensão é pensar na continuidade das ações e suas dimensões que fortaleçam a nossa rede e artistas.

– Você pensa em trabalhar com shows internacionais? Por que não fez ainda?

Fizemos a produção local do show de Elton Jonh e foi uma experiência única. Acho que precisamos gerar conexões para colocarmos a cidade no circuito. Tenho vontade de trabalhar com shows internacionais de porte médio, pois há uma grande demanda de circulação e precisamos dar mais esse passo.

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O Circuito Música Bahia é um dos projetos de música mais interessantes da Multi, com três edições realizadas.

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