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Os grandes encontros da música brasileira nos palcos em 2014

Já virou tradição aqui no el Cabong, todo final de ano produzimos um apanhado com alguns dos principais encontros entre artistas que aconteceram nos palcos do Brasil e do mundo nos últimos 12 meses. Participações especiais, shows conjuntos, homenagens, comemorações e todo tipo de encontro. Dividimos estes apanhados em duas partes: a primeira com os encontros da música brasileira e uma segunda com os encontros internacionais. Muitos outros com certeza aconteceram, mas reunimos alguns dos que chamaram atenção pelo ineditismo, importância, inusitado ou por ser interessante mesmo.

João Donato + Mariana Aydar + Marcos Valle + Tulipa Ruiz + Bixiga 70 = Cala Boca Menino
Já no começo do ano, dentro das comemorações de 80 anos de João Donato, um show no Teatro do Sesc Pinheiros, em São Paulo, reuniu o próprio Donato e um time de artistas da nova geração, Mariana Aydar, Tulipa Ruiz e integrantes da Bixiga 70, além, de um velho parceiro do aniversariante, Marcos Valle. Além de reunir essa turma, o show foi especial por apresentar pela primeira vez ao vivo o clássico álbum de 1973 de Donato, “Quem é Quem”. O disco, que teve Marcos Valle como produtor, trazia hits como ‘A rã’, ‘Amazonas’ e ‘Cala boca menino’, que podemos ver no vídeo abaixo:

Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz + Gilberto Gil = Raça Humana
Também no começo do ano outros encontros reuniram a velha e a nova geração. Um deles foi com Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz recebendo Gilberto Gil num encontro inédito no Sesc Pompeia, em São Paulo. A ideia do projeto foi reunir as raízes musicais ancestrais de ambos, com um repertório de dez composições que reverenciam o universo percussivo baiano. Foram quatro composições de Letieres Leite e seis de Gilberto Gil, com a presença do compositor e músico no palco.

Autoramas + Renato Barros = A Primeira Lágrima
Outro desses encontros de gerações aconteceu em abril na 22ª edição do Abril pro Rock, no Recife. A banda Autoramas se apresentou com Renato Barros, um dos nomes mais importantes da Jovem Guarda como mentor do Renato & Seus Blue Caps. A apresentação contou com alguns dos principais sucesso como ‘Menina Linda’, ‘Meu bem não me quer’ e ‘A primeira lágrima’.

Jards Macalé + Metá Metá = Negra melodia
Teve outros encontros de gerações, como o Jards Macalé, que dividiram o palco em algumas oportunidades, como essa no Sesc Santana, em São Paulo.

Jards Macalé + Otto = Juízo Final
Macalé recebeu também Otto em sua apresentação no Sesc Pinheiros. Juntos levaram a clássica ‘Juízo Final’, de Nelson Cavaquinho.

Ronnie Von + Os Haxixins = A Máquina Voadora
No lançamento de sua biografia, “O príncipe que podia ser rei”, o veterano reviveu um de seus momentos mais cultuados atualmente pela s novas gerações, com a apresentação da música ‘A Máquina Voadora’, uma das mais adoradas pelos fãs da fase psicodélica do cantor. Ronnie Von subiu ao palco para cantar ao lado de uma banda da nova geração, Os Haxixins. Veja como foi.

Caetano Veloso + Ney Matogrosso = Qualquer Coisa
Em Salvador, nos já tradicionais ensaios de Márcia Castro, o Pipoca Moderna, todo ano acontecem encontros mais interessantes do verão. Em 2014, entre outros nomes ela recebeu Caetano Veloso e Ney Matogrosso, que cantaram com ela, mas um dos melhores momentos foi quando os dois cantaram juntos.

Zé Ramalho + Fagner = Canteiros
Outro encontro de veteranos rendeu ainda mais. Um show de Zé Ramalho em Fortaleza, contou com a participação especial de Raimundo Fagner. Juntos eles cantaram a bela ‘Canteiros’, do cearense. O resultado do encontro acabou rendendo muito mais, ele se juntaram para gravar um DVD em dupla, com músicas dos dois, registrado ao vivo, num show no Rio de Janeiro. Agente vê o show em Fortaleza.

Marisa Monte + Gilberto Gil = Xote das meninas
Outro encontro marcante em 2014 foi o que reuniu Marisa Monte e Gilberto Gil em um show especial no Festival MPB, no Recife. Juntos fizeram um repertório revezando músicas de um e de outro, além de uma linda homenagem a Luiz Gonzaga.

Pedro Baby + Pepeu Gomes + Os Pingos da Chuva
Há alguns anos, Baby do Brasil ressurgiu com um show novo, que tirava ela da onda religiosa que havia mergulhado. Através de seu filho, Pedro Baby, ela voltou a chamar atenção por sua voz e suas músicas, da época dos Novos Baianos aos tempos de carreira solo. Pedro agora investe em trazer o pai, Pepeu Gomes, de volta aos merecidos holofotes. Pepeu não canta, mas toca guitarra como poucos no Brasil. E aqui, dentro do Festival Sonoridades, no Oi Futuro Ipanema, no Rio de Janeiro, ele mostra um pouco disso ao lado do filho.

Tulipa Ruiz + Baby do Brasil + Otto = Tinindo Trincando e Eu também quero beijar
O trabalho com o filho, fez mesmo Baby voltar a ganhar o merecido espaço, mesmo derrapando em alguns momentos. Ao lado de Tulipa Ruiz, promoveu alguns dos encontros bacanas de 2014. Um deles, contou também com Otto no projeto Sexta Básica, em São Paulo. Juntos os três cantaram ‘Tinindo Trincando’ e ‘Eu também quero beijar’.

Dona Onete + Felipe Cordeiro + Luê + Lia Sophia = Jamburana
Alguns dos principais nomes da música paraense atual se juntaram para um show em conjunto no Centro Cultural da Juventude, em São Paulo. Juntos, a veterana e atualíssima Dona Onete, Felipe Cordeiro, Luê e Lia Sophia cantaram o hit ‘Jamburana’ .

Raimundos + Marcelo D2 + Érika Martins + vários convidados = Puteiro em João Pessoa
Não tão veteranos, mas já de uma geração anterior, o Raimundos promoveu um dos momentos mais bacanas do rock brasileiro em 2014. A banda foi a última a subir no palco do festival Porão do Rock 2014, em Brasília. Depois de receber Marcelo D2, para cantar a música ‘Palhas do coqueiro’, Érika Martins, para levar ‘A mais pedida’, e Fred, ex-baterista da banda, que tocou em algumas músicas, Digão e companhia chamaram meio mundo de gente para cima do palco. Vários músicos que tocaram no festival e outros integrantes da cena de Brasília cantaram juntos a música que fechou o show, ‘Puteiro em João Pessoa’. Entre eles os próprios Marcelo D2 e Érika, além dos caras das bandas Nevilton, Dona Cislene, entre outros. Foi assim:

Do Amor + Romulo Fróes = O Que Todo Mundo Quer / Ninguém Liga
Mas nem só de encontro de e com veteranos vive nossa música. É claro que no decorrer do ano também tivemos encontros da turma da geração atual. No lançamento do segundo disco da banda Do Amor, em São Paulo, os cariocas receberam no palco o cantor Rômulo Fróes para uma participação especial. Ele entrou no palco já dizendo: “É a primeira vez que me convidam para alegrar um show. É sempre o contrário”. Do Amor e Romulo cantaram juntos músicas do cantor, “O Que Todo Mundo Quer / Ninguém Liga’ e ‘Para Fazer Sucesso’, e da banda, ‘Quando Ele Chegar’.

Bixiga 70 + B-Negão = Essa é pra Tocar no Baile
Em Curitiba, um encontro entre o Bixiga 70 e B-Negão rendeu uma versão explosiva de ‘Essa é pra Tocar no Baile’.

Bárbara Eugenia + Karina Buhr = Meu Lamento (Diana)
Já no encontro de Bárbara Eugenia com Karina Buhr, elas interpretam juntas uma música de Diana, ‘Meu Lamento’, na verdade uma versão de Rossini Pinto para ‘Voy A Guardar Mi Lamento’, de Raul Vazquez.

Anelis Assumpção + Rodrigo Campos = Princesa do Mar – Lalá
Anelis Assumpção e Rodrigo Campos são da mesma geração, trafegam na mesma cena, em São Paulo, fazem parte de um mesmo circuito, mas não haviam ainda feito shows juntos. Em Salvador, fizeram duas apresentações juntos, ele no violão, ela cantando. Quase sempre o foco eram as músicas do novo disco dela, mas ele também cantou e mostrou suas músicas, como em ‘Princesa do Mar’, com Anelis acompanhando e dando ainda mais brilho à música.

Juliano Gauche + Juliana R = Além de Todo Gesto
O Prata da Casa reuniu o capixaba Juliano Gauche e a paulista Juliana R para uma apresentação em São Paulo.

Camila Garófalo + Tatá Aeroplano = Na Loucura
Outro encontro de nomes menos conhecidos foi Tatá Aeroplano participando como um dos convidados especiais para o show de Camila Garófalo, cantando uma música de Tatá, no Sesc Pompeia, em São Paulo.

Cachorro Grande + Orquestra de Câmara da Ulbra = As Coisas Que Eu Quero Lhe Falar
Um shows especial colocou o rock do Cachorro Grande ao lado da música clássica da Orquestra de Câmara da Ulbra, sob a regência do Maestro Tiago Flores. Aconteceu em novembro, no Salão de Atos da UFRGS, em Porto Alegre. Juntos eles fizeram um show inteiro com várias músicas do grupo, numa das apresentações inesperadas do ano.

Fernanda Takai + Samuel Rosa = Sobre o Tempo
Em Belo Horizonte, um encontro de dois dos principais expoentes da música mineira das últimas gerações, Fernanda Takai e Samuel Rosa, do Skank. No Festival Natura Musical, cantaram juntos algumas músicas do Pato Fu e do Skank, entre elas ‘Sobre o Tempo’.

Nação Zumbi + BNegão = Quando a Maré Encher
O mesmo festival, reuniu Nação Zumbi e BNegão que tocaram algumas músicas juntos. Entre elas ‘Da Lama ao Caos’ e ‘Quando a Maré Encher’.

Pitty + Fábio Cascadura + Jajá Cardoso = Honky Tonk Women
No projeto Desafio das Bandas, em Salvador, Pitty convocou Fábio Cascadura e Jajá Cardoso para o palco e juntos cantaram ‘Honky Tonk Women’, do Rolling Stones.

Pitty + Emmily (Far From Alaska) = Máscara
Em um show no Parque da Juventude, em São Paulo, Pitty recebeu também Emmily, vocalista da banda Far From Alaska. Juntas elas mandaram um dos maiores hits da baiana, ‘Máscara’.

BaianaSystem + Karol Conká + BNegão = Boa Noite
No Rio de Janeiro, o festival Soridades rendeu outro momento especial, com o
BaianaSystem recebendo Karol Conká e BNegão em seu show. Um encontro de uma turma que tem mexido com música negra moderna e com um pé na eletrônica. Salvador, Curitiba e Rio de Janeiro num mesmo palco. A parceria do BaianaSystem com Karol Conká acabaria se estendendo, com a curitibana fazendo participação em um show da banda em Salvador.

BaianaSystem + Karol Conká + Márcio Victor = Terapia
No mesmo show, o maior sucesso do BaianaSystem contou novamente com Karol Conká e com a luxuosa percussão de Márcio Victor.

Karol Conká + Emicida = Gueto Ao Luxo
Teve também encontro da música brasileira no exterior. Agora foi Karol Conká quem recebeu Emicida como convidado em sua apresentação no Funkhaus Europa Summerstage 2014, na Alemanha.

Goma-Laca – Juçara Marçal + Letieres Leite = Ogum
Um dos projetos mais bacanas de 2014 foi o Goma-Laca, que reuniu Lucas Santtana, Karina Buhr, Juçara Marçal, Russo Passapusso e Duani, sob direção de Letieres Leitte. Eles lançaram um disco muito interessante e realizaram alguns poucos shows em São Paulo recriando afrobrasilidades dos anos 40 e 50. Reunimos aqui alguns momentos desse show, que revela alguns bons encontros de 2014.

Goma-Laca – Lucas Santtana + Karina Buhr + Duani + Letieres Leite = Cala Boca Menino

Goma-Laca – Lucas Santtana + Letieres Leite = Vou Vender Meu Barco

Goma-Laca – Karina Buhr + Letieres Leite = Minervina

Emicida + Thiago França + Rodrigo Campos = Acontece
Isso de pegar gravações antigas e dar uma nova cara a elas não ficou restrito ao Goma-Laca. Um Emicida nervoso, acreditem, ao lado de feras como Thiago França e Rodrigo Campos, recriando ao vivo o primeiro disco de Cartola. O show, no Sesc Santana, em São Paulo, fez parte do projeto 74 Rotações, que celebra discos clássicos de quarenta anos atrás. Um pouco do resultado foi isso aqui:

Emicida + Rael + Flora Matos + Marechal + Don L + Rapadura + Opanijé (BA) + Renan Inquérito = O Hip Hop é Foda
Emicida esteve presente também em outro momento marcante em 2014 com o show ‘Cada canto um Rap, Cada Rap um Canto’, onde reuniu MCs de várias regiões do Brasil num mesmo palco. Aconteceu em São Paulo, com Emicida (SP), Rael (SP), Flora Matos (DF), Marechal (RJ), Don L (CE), Rapadura (CE), Opanijé (BA) e Renan Inquérito (Campinas/SP).

Gerônimo + Orquestra Afrosinfônica = É D’Oxum
Assim como no Goma-Laca, a música afro-brasileira também foi motivo de encontro na Escadaria da Igreja do Passo, no Centro Histórico de Salvador. O cantor Gerônimo recebeu a Orquestra Afrosinfônica, num show especial, batizado como Toada Ancestral, onde cada um apresentou suas músicas e juntos tocaram algumas canções. Um dos momentos especiais foi quando apresentaram a eterna ‘É D’Oxum’, de Gerônimo.

Mulheres q Dizem Sim + Moreno Veloso = Não Sabe
No Circo Voador, no Rio de Janeiro, a seminal banda Mulheres q Dizem Sim fez um show especial, comemorando o 20 anos do lançamento de seu primeiro e único disco. Um dos poucos shows que a banda fez depois de muitos anos contou com a participação de Moreno Veloso, um parceiro de boa parte dos integrantes do grupo. Juntos fizeram várias músicas, com Moreno cantando e tocando pandeiro.

Otto + Jonnata Doll = Fracassos
Em Fortaleza, Otto havia participado do show de Jonnata Doll e os Garotos Solventes. Aqui é O performático cantor cearense Jonnata Doll que participa do show Otto Acústico, no Sesc Bom Retiro. Otto encontrou um insano do quilate dele e juntos dançaram, se emocionaram e cantaram a bela ‘Fracasso’, de Fagner.

Academia da Berlinda + Otto = Janaina
Um encontro de pernambucanos reuniu a Academia da Berlinda e Otto, que em show em São Paulo, cantaram algumas músicas juntos.

Tulipa Ruiz + O Terno = Megalomania
Também no Circo Voador, a cantora e compositora Tulipa convocou a banda O Terno, que havia tocado na abertura do show, para fazer os vocais no samba-reggae ‘Megalomania’.

Tulipa Ruiz + Filipe Catto = Cada Voz
Há ainda aqueles encontros inusitados e inesperados até mesmo para os artistas. Na apresentação de lançamento de seu disco em São Paulo, Tulipa Ruiz cantava a música ‘Cada Canto’, quando descobriu o cantor gaúcho Filipe Catto na plateia. Ela desceu do palco, foi até ele e, juntos, no meio do público, cantaram a música.

Criolo + Tulipa Ruiz = Cartão de Visita
Tulipa também participou como convidada, como no show de lançamento do novo álbum de Criolo no Sesc Vila Mariana, em São Paulo.

Criolo + Mulatu Astatke = Ocupe Estelita
Em São Paulo, o Etiopense Mulatu Astatke fez um show e dividiu o palco com Criolo, numa música sobre Estelita, que tratava do caso de especulação imobiliária no Recife.

Joan Baez + Geraldo Vandré = Caminhando (Pra Não dizer que não falei de Flores)
Para terminar um momento diferente, mas que merece registro. Assim como caso de Criolo e Mulatu Astatke, não é um encontro de artistas brasileiros, mas de um artista gringo com brasileiros. Um dele mal aconteceu. Numa apresentação em São Paulo, a cantora norte-americana Joan Baez resolveu cantar ‘Caminhando (Pra Não dizer que não falei de Flores)’ e chamar o autor no palco. Geraldo Vandré nem canta, apenas sobe ao palco e acompanha, quieto, mudo, mas torna o momento mais mágico ainda.

Joan Baez + Milton Nascimento + Gilberto Gil = Cálice
Joan Baez recebeu também Milton Nascimento e Gilberto Gil para uma versão emocionada de ‘Cálice’. No ano que se comemorou os 40 anos do Golpe Militar, muito importante relembrar através da música alguns dos momentos mais tristes de nossa história. Que não pode ser nem cogitado em voltar.

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