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Morre Riachão, um dos pilares do samba na Bahia

O cantor e compositor baiano Riachão morreu nesta segunda-feira (30) aos 98 anos. Segundo a família do artista, Clementino Rodrigues, nome de batismo, faleceu por causas naturais durante a noite, dormindo, e chegou a ser atendido por uma equipe médica em sua casa no bairro do Garcia, em Salvador, onde mora. O velório será no cemitério Campo Santo e o sepultamento ocorrerá às 16h. Devido ao decreto que proíbe a aglomeração de pessoas por conta da pandemia do corona vírus, a entrada de pessoas no velório será rotativa e limitada.

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Russo, Mateus Aleluia, Jadsa Castro e Riachão entre os escolhidos no edital da Natura.

O sambista é um dos principais pilares do samba na Bahia, ao lado de nomes como Ederaldo Gentil e Batatinha, que também já nos deixaram. Com poucos discos gravados, mas com uma extensa produção, ele é autor de sambas clássicos como “Cada macaco no seu galho” e “Vá morar com o diabo”. O últimos álbum, ‘Mundão de Ouro’, havia sido lançado em 2013. Depois de ter projeto aprovado no edital da Natura, o próximo disco estava sendo planejado para este ano com o título “Se Deus quiser eu vou chegar aos 100”.

Em entrevista, ele dizia ter mais de 500 composições, embora tenha lançado apenas poucos álbuns individuais. O primeiro lançamento foi ‘Umbigada da Baleia’, um disco de 78 rotações (por volta da década de 1960). Seguido de ‘Sonho de Malandro’, um LP pelo Selo Desenbanco (banco onde ele trabalhava). No ano de 1975, ao lado de Batatinha e Panela, também representantes do samba baiano, lançou ‘Samba da Bahia’, em LP pelo Selo Fontana.

Alguns anos depois, em 1981, lançou o LP ‘Sonho de Malandro’ pela gravadora Tapecar. Só em 1997 apareceria novamente em um disco. Agora em ‘Diplomacia’, álbum de Batatinha, que reúne, além deles dois, nomes, como Ederaldo Gentil, Nélson Rufino, Walmir Lima e Edil Pacheco.  Os trabalhos seguintes foram ‘Humanenochum’, em CD pelo Selo Caravelas (2000), ‘Riachão’, em CD pelo Selo Caravelas (2001), Mundão de Ouro, em CD pelo Selo Comando S Discos (2013).

Apesar de ter gravado pouco como cantor, como compositor ganhou versões nas vozes de importantes nomes de nossa música, como Jackson do Pandeiro, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Gal Costa e Cássia Eller.

No cinema participou de filmes como ‘A Grande Feira’, de Roberto Pires (1961), ‘Pastores da Noite’, de Marcel Camus (1972) e o curta-metragem “Rádio Gogó”, de José Araripe Jr. (1999). Em 2001, foi tema do documentário “Samba Riachão”, de Jorge Alfredo, que conta com depoimentos de Carlinhos Brown, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Dorival Caymmi e Tom Zé, entre muitos outros.

Sua obra costumava costumava girar em torno de referências a situações e personagens da vida cotidiana de Salvador, o que o levou a ser chamado de cronista musical da cidade, em seus tempos de cantor de rádio. Nascido em Salvador, em 14 de novembro de 1921, começou a cantar aos 9 anos e fez a primeira composição aos 12.

Com 98 anos, Riachão é um daqueles mestres que viveu bastante, com alegria e muita vitalidade, soube viver e deixa um belo legado com centenas de composições. Viva Riachão!

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