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Giovani Cidreira prepara disco novo e turnê pela Europa

De volta à Bahia, cantor e compositor Giovani Cidreira prepara novo trabalho e vai rodar por quatro países da Europa. Está sendo lançado ainda um curta mostrando seu processo artístico.

Dentro do cenário de artistas baianos da atual geração, Giovani Cidreira é um dos mais idiossincráticos. Talvez por isso, mesmo com o enorme talento e trabalhos relevantes, não seja destacado com tanta frequência entre os baianos de sua geração. Sua música possui certa complexidade, é pouco previsível e não se encaixa facilmente em gavetas. Trafega por pop, mpb, rock, eletronices e experimentalismos com a mesma facilidade. É essa música que Giovani vai levar pela primeira vez para Europa a partir do final deste mês, numa curta turnê por quatro países. O cantor e compositor baiano prepara também seu aguardado novo disco, que deve se aproximar do aclamado ‘Japanese Food’.

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A turnê inclui sete shows em passagens por Reino Unido, Espanha, França e Portugal. A primeira apresentação será em Londres, no dia 30 de outubro. Na sequência, o cantor passa por Bilbao, Espanha, no dia 31, dentro da programação da feira musical BIME. Em seguida, vai para França, onde se apresenta em Paris, no dia 2 de novembro, e no dia 5 em Tolouse. A última parte da tour é por Portugal, por lá toca em Lisboa, dia 9 e 17 e Ilha da madeira, no dia 16.

Giovani Cidreira EuropaProgramação da Tour GIO

30/10 – Londres – Set
31/10 – Bilbao – BIME
02/11 – Paris – Pavillion Sauvages
05/11 – Toulouse – Le Ravelin
09/11 – Lisboa – Musix box
16/11 – Ilha da Madeira – Barreirinha bar cafe
17/11 – Lisboa – Musix box.

Durante a turnê, além dos shows, Giovani já tem programado entrevistas em rádios, gravações de live sessions e participação em debate na feira de Bilbao. A ideia da turnê, batizada como GIO, é difundir o trabalho do cantor no exterior. Os shows terão foco na ‘Mix$take’, trabalho mais recente, mas também algumas do ‘Japanese Food’ e outras ainda não lançadas.

A presença de Giovani em Londres foi viabilizada pela plataforma Infinita Productions Presents, que apresenta os novos nomes da música brasileira na capital inglesa. Foi a mesma que articulou a ida de Josyara recentemente. A banda Carne Doce, em formato duo, também vai se apresentar no mesmo evento no dia.

“Nunca tinha pensado em fazer uma turnê fora, mas teve um momento aqui em Salvador, olhando pra frente, para os meses que viriam, que fiquei meio com medo. Vi que não estava rolando pra mim aqui. Olhei pra frente e me vi sem trabalho. Algumas pessoas falaram que talvez fosse a hora de dar um rolê pra fora, dar uma espairecida, ver o que rola. Essa ideia surgiu basicamente assim, de uma criação de demanda. Eu já estava pensando que aqui não ia dar. Está difícil mesmo fazer show. Está mais fácil fazer um turnê lá fora do que aqui”, explica.

Novo disco

As músicas não lançadas presentes nos shows da turnê integram o novo trabalho de Giovani. O trabalho já vem sendo produzido e deve sair no primeiro semestre de 2020. O novo disco está sendo feito lentamente na própria casa do artista. “A gente começou a gravar na Red Bull, mas ainda tem coisas para serem gravadas, inclusive pessoas que vão cantar no disco”.

Ele deu umas pistas do disco, dizendo, por exemplo, que algumas das músicas do álbum já aparecem na ‘Mix$take’. “Lá elas não tem a letra toda, ou tem um arranjo mais eletrônico, ou são mais lofi, porque a gente fez tudo em casa”. Segundo ele, a ‘Mix$take’ é tipo uma peça de um quebra-cabeça. “É mais uma brincadeira. Faço joguinhos, que dão as dicas do que pode ser. Mas a sonoridade do novo é outra, vai ser um mais orgânico. Deve se aproximar mais do primeiro álbum ‘Japanese Food'”.

Filme

O álbum ganhou, inclusive, um documentário mostrando todo seu processo artístico, ‘Japanese Nano Food’, dirigido por Liz Riscado. De maneira intimista e descontraída, o curta acompanha Giovani na sua casa na periferia de Salvador até sua primeira viagem para São Paulo. O filme está na Competitiva Baiana do Panorama Internacional de Cinema, que acontece de 28 de outubro a novembro em Salvador. O curta terá duas sessões, dia 2, às 17h30 e dia 6, às 13h, junto com outros filmes.

Volta para casa

Entre tantas novidades, uma das mais significativas é a volta de Giovani para Salvador, depois de uma temporada de dois anos vivendo em São Paulo. A mudança vai na contramão da artistas contemporâneos, como Baco Exu do Blues, Josyara, Luedji Luna e Livia Nery, que foram morar na capital paulista nos últimos anos.

“Apesar de São Paulo ter me apresentado coisas que eu adoro e coisas que não prestam, que eu adoro também, é uma cidade que não para e eu gosto de descansar. Salvador me deu essa possibilidade de ter uma paz maior enquanto eu não estou no fluxo de shows. Eu posso pensar também na minha música com mais calma e ficar tocando meu violãozinho aqui na rede. Esse tipo de coisa de baiano”, brinca.

O período de dois anos em São Paulo abriu algumas possibilidades na carreira do cantor. Além de investir na carreira solo e lançar seu disco ‘Japanese Food’, por lá iniciou novas parcerias. Uma delas foi com Fernando Catatau, que já rendeu uma turnê dos dois juntos, inclusive em Salvador. Emplacou também uma turnê no nordeste e outra no sul, esta abrindo shows de Liniker.

Dificuldades

Giovani faz questão de frisar como tem sido difícil atuar no meio artístico e viabilizar uma carreira, seja em Salvador ou São Paulo. “Tem sido tudo feito na raça, muito na guerrilha. Reduzi o formato do meu show. Viajo só com sampler, teclado e minha produtora, que também cuida da luz e da direção artística”, diz.

Mesmo com todas as dificuldades, ele ressalta que se considera um vitorioso. “Eu vivo a duras penas do que faço, da minha música, do que eu gosto de fazer. Mas considerando o lugar de onde eu vim (o bairro de Valéria, em Salvador), e vendo que a maioria de meus amigos morreram ou estão presos, é uma vitória eu estar aqui ainda vivo fazendo minhas coisas, rodando e tudo. Por outro lado é muito difícil. Eu sinto que a coisa está muito complicada, a galera está sem grana e a gente vai fazendo do jeito que dá. Tem sido anos frutíferos, mas poderiam ser melhores”. APesar didso tudo, com disco novo, turnê, filme e voltando a morar em Salvador, não dá pra dizer que é tão ruim assim.

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