Para quem gosta de música sem preconceitos - el Cabong

Festival Afropunk vem para Salvador em 2020

Um dos maiores festivais de cultura negra do mundo fará sua primeira edição na América do Sul no ano que vem. O  festival Afropunk chega a Salvador marcado por música, ativismo, moda e representatividade, e costuma receber grande nomes de hip-hop, eletrônico, jazz, soul e hardcore punk.

A notícia da vinda do Afropunk para a capital baiana já vinha circulando há algum tempo. Nesta sexta-feira (14), no entanto, o produtor e cantor Evandro Fióti confirmou em seu twitter que o festival virá mesmo para o Brasil no ano que vem. O melhor é que o destino é Salvador. Surgido em 2005, o evento se tornou um dos maiores de cultura negra do mundo, reunindo grandes nomes da música. Mas ele acaba atuando também como um transformador social, com muita arte, moda e comportamento.

Relação com Salvador

O namoro do Afropunk com Salvador começou quando o co-fundador e produtor do festival, Matthew Morgan, esteve no Carnaval baiano. Aqui conheceu melhor a festa Batekoo, depois de acompanhar o trio do coletivo. “Ele ficou impressionado com as mobilizações e a quantidade de público que os eventos atraiam”, contou Adrielle Coutinho para o jornal *Correio. Ela é responsável pela elaboração do planejamento e desenvolvimento estratégico da Batekoo, O resultado é que a festa vai estar no festival, no próximo mês de agosto, em sua edição principal no Brooklyn, Nova Iorque. Os DJs e MCs do coletivo estarão ao lado de Leon Bridges, Santigold Kamasi Washington, Death Grips e FKA Twigs. O outro fruto desse namoro é a vinda do festival para a capital baiana.

Em sua programação, o Afropunk costuma receber artistas de hip-hop, eletrônico, jazz, soul e hardcore punk. O mais interessante é que abre as portas tanto para estrelas internacionais quanto para novos nomes. Não há muitas informações até o momento. Muito menos há algum nome anunciado. É esperado, no entanto, que a Batekoo seja uma das atrações do festival na capital baiana. Outros artistas locais, como Larissa Luz, Baco Exu do Blues, Hiran e Majur também dialogam com a proposta do evento.

Ativismo

Além da parte artística, especialmente música e moda, o festival mantém um forte compromisso com ativismo e representatividade. Motivo que um grande encontro do público negro de vários cantos do mundo. Um exemplo do ativismo são as mensagens e frases espalhadas pelo ambiente do festival. Elas costumam trazer dizeres contra o racismo, homofobia, sexismo, gordofobia e transfobia. Há também a transmissão de frases de líderes negros, como James Baldwin e Malcom X. É um grande evento em favor do respeito mútuo e contra o ódio de todas as formas.

Toda essa história começou ainda em 2003. Naquele ano, um documentário de mesmo nome foi produzido por Matthew Morgan e dirigido por James Spooner. “Afropunk” era um filme sobre os jovens negros da cena punk-indie rock-hardcore e trazia entrevistas com integrantes de várias bandas. Em destaque nomes como Death, Fishbone, Bad Brains, Suicidal Tendencies, Dead Kennedys, Bloc Party, TV on the Radio, entre outros. O doc foi recebido com entusiasmo e logo se criou uma comunidade de fãs em fóruns pela internet, que trocavam informações e experiências.

História e nomes de peso

Em 2005, rolou a primeira edição anual do Afropunk Festival, no Brooklyn Academy of Music (BAM), em Nova Iorque, celebrando a união dessa comunidade e sua cultura. Depois disso, o Afropunk cresceu e se tornou um festival internacional, deixando um pouco de lado sua vertente mais punk e ganhando caminhos mais abertos. A programação passou a reunir grandes nomes da música pop, e, de centenas de fãs, passou a receber milhares de pessoas. No Brooklin, a estimativa de público costuma ser de 60 mil pessoas.

Já passaram pelos palcos do festival nomes de um universo mais pop e conhecido, como Lauryn Hill, Janelle Monáe, Solange, Lenny Kravitz e Grace Jones. Mas também, artistas mais ligados à cultura negra e gêneros coo rap, soul, jazz. Temos ai D’Angelo, Soul II Soul, Kelis, Ice Cube, Sharon Jones, Chuck D, Anderson.Paak, Thundercat ,e Gary Clark Jr.. Da mesma forma, a origem mais punk do festival foi contemplada por artistas como Suicidal Tendencies, Bad Brains, Death Grips, Body Count, entre outros.

O Afropunk cresceu tanto que se transformou num evento internacional. O resultado é que ele hoje acontece em diversos países, além da consolidada edição americana. Em 2017, por exemplo, o festival aconteceu em cinco cidades: Nova Iorque/Brooklyn, Paris, Londres, Atlanta e Joanesburgo, na África do Sul. Em 2019, o evento acontece em Paris, Nova Iorque, Atlanta e Joanesburgo. Em 2020, o hemisfério sul terá uma segunda cidade recebendo o festival. Será a vez de Salvador. Sejam bem vindos.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

7 Comments

    1. Dorivaldo Morais dos anjos Reply

      Com certeza! sem desmerecer os artistas acima citados, a cidade tem uma cena punk muito rica com pretos e pretas em bandas,produção!

  1. Pingback: Bahia exporta nova música em turnês de artistas pelo mundo » Para quem gosta de música sem preconceitos, numa visão a partir da Bahia

  2. Pingback: Os 14 shows imperdíveis de julho em Salvador » Para quem gosta de música sem preconceitos, numa visão a partir da Bahia

  3. Pingback: Luedji Luna estreia disco entre as mais tocadas na Europa » Para quem gosta de música sem preconceitos, numa visão a partir da Bahia

  4. Pingback: Histórico. Assista o show completo do BaianaSystem com a OSBA - » Para quem gosta de música sem preconceitos, numa visão a partir da Bahia

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Log in