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Entrevistas: Silvio de Carvalho fala de estreia solo

À frente da banda Tabuleiro Musiquim e integrante de diversas outras, o cantor e compositor Silvio de Carvalho lança seu primeiro trabalho solo.

Depois de um tempo, resolvemos retomar a série de entrevistas com artistas e bandas que estejam lançando discos, especialmente na Bahia. Dessa vez batemos um papo com Silvio de Carvalho, músico, cantor e compositor que já passou por bandas como Quarteto de Cinco e Suinga e vinha tocando seu projeto Tabuleiro Musiquim. Agora, ele resolveu assumir uma carreira independente de outros integrantes, criando e tocando tudo sozinho, pelo menos na gravação. Silvio fala desse momento, do disco e da carreira. Essa é nova entrevista da série que prossegue nas próximas semanas ouvindo outros artistas que lançaram álbuns este ano.

Veja também:

– Discos: Calafrio reforça o rock feirense com ‘Hiato’.
– Discos: Illy apresenta Elis em cores novas, porém diluídas.
– 5 álbuns diversos com menos de 10 anos para prestar atenção.

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Quem: Silvio Silvio de Carvalho Aquilo Outrode Carvalho
O Que: Disco ‘Aquilo Outro’
Formato: Digital (por enquanto)
Onde: plataformas digitais (Spotify, Deezer e YouTube)
Por quem: Independente
Preço: Audição gratuita

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– Gostaria que você contasse como foi a concepção do disco. Há um conceito nele?

Silvio de Carvalho – Faz tempo que queria fazer alguma coisa fora das bandas… veio essa pandemia e o tempo que me faltava pra pensar nisso apareceu de sobra. Pra esse EP queria que fosse uma coisa bacana, para dar início a essa trajetória, mas também fiquei com receio de lançar um álbum de inéditas e acabar não tendo como trabalhar, tocar e tudo… com esse período de isolamento é complicado. Então juntei algumas músicas das bandas que passei (“Coração que Muito Bate” – Velotroz; “Ela” e “Não me Fale Nada” – Quarteto de Cinco; “Poligamia” – Tabuleiro) pra meio que dizer: ó gente, coisa massa, é aquele cara daquelas bandas lá. Ai foi isso… juntei a essas canções uma música inédita, para o povo não dizer que eu sou preguiçoso e pronto. Nunca penso no conceito prévio, mas meus trabalhos sempre dizem muito do meu momento. O repertório apesar de ter sido escolhido sem muito critério acho que tem uma “vibe quarentenesca”, nas letras inclusive. “Tem Perigo Lá Fora”, mesmo tendo sido escrita há alguns meses antes da pandemia fortalece essa impressão.

– Como foi o processo de composição, produção e gravação do álbum?

Silvio de Carvalho – Eu já tinha as composições e essa vontade de seguir com artista solo, né? Um dia tava aqui no estúdio e disse sabe de uma… Escrevi aqui na mesa os nomes das músicas das bandas que eu gostaria de ter cantado e não cantei. Cheguei a umas seis músicas, selecionei 3 e adicionei uma da Tabuleiro pra ficar a trajetória certinha, né? No mesmo dia gravei as guias. Comecei a programar as baterias tentando me afastar ao máximo das gravações originais, acho que a percussão dita muito o desenrolar do arranjo. Já estava em isolamento quando comecei e tive que fazer tudo aqui mesmo. Gravei os baixos também nessa onda de seguir um novo caminho mesmo e também respeitando minhas limitações técnicas com os instrumento, acho que isso acabou ajudando também na sonoridade. Ai foi isso…. mesmo esquema com os outros instrumentos. Uma coisa que foi importante foi ter deixado as guitarras por último, acho que isso foi a única coisa premeditada na produção. Eu tenho uma tendência muito forte a encher as coisas de guitarras e queria dar um limite nesse meu impulso… natural até, já que eu sou guitarrista, né? Outra coisa que me preocupei também foi valorizar mais o canto, apesar de não ter sido muito criterioso na gravação das vozes e também não ter feito nenhum tipo de edição, queria que a voz fosse o foco da parada.

– Quais foram as principais influências durante esse processe de criação?

Silvio de Carvalho – Eu sinceramente não sei… É aquela história do som da cabeça, sabe? Mas acho que tem muita coisa ali: Secos & Molhados, Mutantes, Grand Funk, George Harrison, Gilberto Gil… No final das contas as coisas que sempre ouvi desde muito pequeno, né?

– Em tempos sem ficha técnica disponível, o disco contou com quem na produção, arranjos, ou mesmo em participações?

Silvio de Carvalho – A ficha técnica basicamente sou eu, né? Toquei os instrumento, gravei e mixei, mas queria muito que rolasse participações. Chamei Wado, com quem tive contato mais próximo em 2016 quando toquei guitarra em um show dele aqui em Salvador. Na ocasião ele estava produzindo o disco ‘Ivete’ e eu iniciando o ‘Mano’ da Tabuleiro e numa carona a gente ouviu algumas coisas minhas e dele e acabamos criando esse contato e eu sempre com vontade de fazer alguma coisa com ele. Mostrei as músicas do EP e ele escolheu “Ela” pra dividir os vocais comigo. A outra participação é de Eric Assmar, guitarrista de primeira linha e meu amigo desde o início da Quarteto de Cinco, uma figura super querida. Ao contrário de Wado eu meio que já tinha planejado a guitarra de Eric para “Não me Fale Nada”. Eu queria uma guitarra slide nela e pra mim Eric é um dos melhores do estilo. Dito e certo… som lindo e um solo de arrepiar. Vale dizer que cada um gravou em suas respectivas casas e me mandou.

– Como ele está sendo lançado e como encontrá-lo?

Silvio de Carvalho – O EP está sendo lançado em formato digital e está disponível nas plataformas de streaming, na maioria delas. Por enquanto não tem em formato físico, mas eu gosto de ter. Ainda não abri mão dessa ideia totalmente.

– Gostaria que fizesse uma análise da sua evolução musical desde o inicio da carreira até este disco.

Silvio de Carvalho – Comecei a tocar com uma banda chamada Dellas Frias em 2006 e logo depois em 2007 formei a Quarteto de Cinco e ai comecei a tocar com mais frequência. Com a Quarteto a gente chegava a tocar duas vezes por semana, ganhamos uns festivais, fomos pra Coreia do Sul e nos apresentamos no Asian Beat, louco. Ai fui tocar com a Velotroz, gravamos dois álbuns e fizemos vários shows. Em 2012 eu formei a Tabuleiro já com essa necessidade mesmo de me apresentar como cantor também, já que nas outras bandas, apesar de atuar como compositor também, eu não cantava. Com a Tabuleiro tocamos em São Paulo, Souza, João Pessoa e todos os anos tínhamos um roteiro pelo interior da Bahia que a gente fazia, passando por Vitória da Conquista, Poções, Jequié, Feira de Santana… A Tabuleiro sofreu muitas mudanças de formação e tal e isso tava me consumindo muito, principalmente por causa da dificuldade de produzir coisas novas. Ai fui me distanciando da ideia e amadurecendo essa vontade de partir numa trajetória solo. Sempre valorizei muito a criação e não estava mais conseguindo fazer isso com a Tabuleiro. Foi foda entender isso também, já que é o projeto que tenho maior carinho. Hoje estou solo… hehehehe… eu tô curtindo. A recepção de quem ouve tem sido legal e isso tem me motivado bastante. Já tô fazendo repertório do próximo.

– Por que em tempos de streaming ainda lançar um álbum?

Silvio de Carvalho – Cara, eu não sei. Sempre escuto música assim, boto o disco e pronto… sem pular, sem voltar. Eu sou tão assim que quando quero ouvir uma música específica coloco o disco inteiro. Acho que a gente compreende o momento do artista quando ouve um disco inteiro e acho que o artista comunica melhor assim. A realidade é outra cada vez mais, mas tenho impressão que álbum consolida mais a obra.

– Quais os planos para tonar este trabalho mais visível diante de tanta coisa sendo produzida?

Silvio de Carvalho – Eu estou dando uma intensificada no estudo dessas ferramentas digitais para tentar fazer o disco chegar a mais pessoas, tenho mandado o material pros blogs, mandei pra alguns programas de rádio… Por enquanto é o que dá pra fazer, já que não existe possibilidade de shows… Tenho pensado nessa coisa de live também, mas não sei… é uma coisa que preciso me acostumar com a ideia, mas já faço uns testes aqui em casa, estou me animando.

Ouça o disco:

2 Comentários

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