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Discos: Peu e sua aposta good vibes pop para o sucesso

O ano mal começou e já foram lançados alguns discos baianos no mercado. Um deles é o novo trabalho de Peu, que segue sua aposta num pop carregado de positividade. O álbum ganhou resenha de Pedro Gusavaqui.

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Por Pedro Gusavaqui*

Sem dúvida 2020 foi um ano produtivo pra humanidade nas variadas ciências, na política e em nossa boa arte. Mas isso não foi por acaso. Todos nós ficamos angustiados com uma certa falta de perspectiva que nos rodeou como um todo. Muitos artistas, então, se viram compelidos a aliviar todo esse nosso estresse, atendendo como que um chamado da mãe arte, pra nos servir de afago.

Pedro Costa Del Rei, PEU, foi um destes agentes. Só que PEU já é veterano na batalha da positividade. É fato que cada um traduz seus anseios artísticos como bem lhe convier. Mas, cá pra nós, é tão bom poder só curtir uma vibe boa sem pensar no antes e no depois. O agora, a sensação, a paz; só isso verdadeiramente importar.

“PEU”, 4° álbum solo do artista, é distribuído pela consagrada Deckdisc, com 7 faixas, e conta com participações ilustres em feats e na própria concepção do produto. Ju Moraes, a banda Adão Negro, o trio Big Up e o artista internacional Rion, são as vozes que dividem algumas faixas com PEU.

Antes de chegarmos aos nomes que se unem a PEU na concepção, é bom que se diga que todas as faixas do álbum foram escritas, produzidas e arranjadas por PEU, além de que grande parte dos instrumentos foram tocados e gravados por ele. A escolha do nome do disco toma, portanto, outra proporção. “PEU” é a síntese de Pedro, é seu reflexo, é sua extensão.

De fato, quando pensamos em extensões de nós mesmos, em algum grau, nos remeteremos à nossa família. Quem nós somos advém do nosso processo e construção familiar. No caso de PEU não foi diferente. Sim, Tenison Del Rey e Lina Costa, seus pais, e seu irmão caçula, João DelJay, estão presentes no álbum. Tenison assina pareceria em 4 canções, DelJay produz 1 música e sua mãe, Lina, se responsabiliza por toda parte burocrática que envolve lançar um disco.

Em tempos de letras rasas, as canções desse álbum se concentram em apaziguar e alavancar os nossos ânimos. O texto é essa alavanca à felicidade. Nesse disco a palavra é sábia e visual. É como um provérbio antigo diz: a palavra quando branda, faz recuar o furor. Ou como outro: Como maçãs de ouro em esculturas de prata é a palavra falada no tempo certo. “PEU” é aquele álbum que a gente escuta, se sente bem e não consegue ficar parado.

Além disso, é o tipo de produto que ansiamos ver traduzido aos palcos, visto que os seus arranjos são magníficos. É um álbum grande, encorpado, maduro. O arranjo dos metais de “Universo” chamam atenção por sua robustez. “Para” é sutil e contagiante. O sentimento de companheirismo em “Talvez a gente possa curtir um Pôr do Sol” é aprazível. As estruturas foram bem desenhadas na feitura de “PEU”.

O álbum “PEU” representa o encontro que nós tivemos conosco na quarentena. Representa a potência que somos a partir de quem nós somos. É um álbum rápido, é verdade. Mas quis compreender essa rapidez como sendo uma respiração de alívio. É bom dizer que a Bahia tem novamente um artista pop digno do mainstream.

* Pedro Gusavaqui é estudante de Licenciatura em Letras Vernáculas na UFBA, poeta e compositor. Entusiasta da nova leva de artistas brasileiros, passou a analisar e a escrever sobre eles em sites especializados em música e cultura.

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