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Destaques 2012 – Os discos e músicas brasileiros

Já é fevereiro, mas, no el Cabong, ainda estamos  na retrospectiva de 2012. Finalzinho, é verdade. Foi um ano sem grandes marcos na música, mas de boas estreias de discos que, se dificilmente vão figuras no panteão das melhores coisas já gravadas, ao menos, deixam a música brasileira e mundial com um eterno clima de renovação. Já falamos dos discos lançados por veteranos, dos tributos e das versões, agora vamos relembrar os maiores destaques em discos, estreias e as músicas do ano.

Poucos discos lançados em 2012 devem marcar época, mas uma artista que marcou o ano e lançou um disco que há tempos andava fazendo falta foi Gaby Amarantos. Talvez seja o maior nome a conseguir aprovação de crítica e do público nos últimos tempos. Há alguns anos, a música brasileira não via entretenimento e música em tão boa sintonia. Pensado como produto ou não, a paraense já vinha chamando atenção e, com o disco “Treme”, se consolidou como grande nome. Recheado de hits, ou potenciais sucessos, como poucos discos no ano, é um arrasa quarteirão, numa sequência de tirar o fôlego.

Com ele, Gaby botou música em abertura de novela, entrou no mainstream, fez show com meio mundo de gente, algumas apresentações memoráveis e assim mesmo manteve o nível e o foco na música. Não atingiu uma enorme quantidade de vendas de discos, nem foi unanimidade,  mas foi, sem dúvida, o grande nome da música brasileira em 2012.

Ainda falando de boas estreias, um dos melhores discos passou batido pela maioria, inclusive, aparentemente, boa parte da crítica. A banda de Ilhéus O Quadro, depois de 11 anos na labuta, botou as mangas de fora e lançou seu primeiro trabalho, auto intitulado, que traz um rap com cara de Bahia. Banda no lugar do DJ, ritmos diversos no lugar de batidas secas, mistura de rap com afrobeat, dub, rock, ijexá, reggae, black music, jazz e uma capacidade incrível de fazer potenciais hits, especialmente a certeira “Valor de X² Parte 2”.

A banda Cascadura completou 20 anos de carreira. Poderia se contentar em permanecer na zona de conforto e apenas gravar um punhado de canções roqueiras. No entanto, Fábio Cascadura e Thiago Trad preferiram mergulhar na realidade e na história de Salvador e fazer um disco conceitual, algo cada vez mais raro, ainda mais num trabalho duplo. Personagens, problemas e delícias da capital baiana foram explorados, mas, também na profusão de ideias, ritmos e diversidade musical que a cidade oferece. O resultado foi uma das poucas obras que vão marcar 2012. Daqui a 20 anos, se um disco do ano passado será lembrado, esse será “Aleluia”.

Outro grande disco lançado foi “Avante”, de Siba. O músico pernambucano assumiu novamente a guitarra, chamou Fernando Catatau para produção e resolveu contar seu universo particular de uma forma diferente do que vinha fazendo. Com uma sonoridade mais moderna, mais pop, mas sem deixar de lado a influência da música tradicional pernambucana, especialmente no modo dos versos, das rimas e dos formatos de suas letras, ele fez mais um disco primoroso. “Avante” traz letras longas, com poucos refrãos e histórias interessantes. Um disco para se mergulhar e compreender o mundo de Siba.

Boa surpresa foi o disco “Metal Metal” do Metá Metá, projeto que aglutina Kiko Dinucci, Juçara Marçal e Thiago França. Eles já vinham de bons trabalhos, mas nesse o foco em ritmos afro-brasileiros e flertes diretos com música de terreiros, ganham ares mais amplos. Focada em cânticos a orixás, com colaboração de compositores como Siba e Maurício Pereira, e uma mão pesando ainda mais na percussão, a banda arrisca mais em texturas, ruídos, grooves e se liberta, não se deixando presa a rigidez de estilos.  O resultado é pesado como muita banda de rock não consegue mais ser.

Curumin foi outro destaque do ano com seu “Arrocha”, que se não mantém o alto nível do início ao fim do disco, conseguiu reunir algumas das melhores composições de 2012. Assim mesmo é um dos discos do ano. A sequência inicial é marcante, em especial estão “Afroxoque”, “Selvage” e “Passarinho”, duas delas com participação crucial de Russo Passapusso, que canta na primeira e é o autor da última. Nelas, Curumin conseguiu imprimir uma marca pop certeira, unindo melodias deliciosas, atmosfera aconchegante, sonoridade moderna e letras simples e belas, falando da natureza em nossa volta. Verdadeiras pérolas com potencial de atingir públicos diversos e, o mais difícil, com capacidade de torná-las clássicos atemporais.

O ano ainda apresentou a confirmação da carreira de Tulipa Ruiz, que em seu segundo disco, “Tudo Tanto”, manteve as boas canções, mas deu uma pequena variada na direção. Fazendo um pop mais sofisticado e largando a voz como poucas cantoras tem se encorajado a fazer, ela caprichou em canções como “Víbora” e em “Dois Cafés”, que divide com Lulu Santos.

Lucas Santtana e Céu foram outros nomes que acertaram a mão em discos bem acima da média, mas inferiores a trabalhos anteriores. Isso não é pouco. Os dois primeiros encontraram caminhos parecidos com a sonoridade marcante, que soa como trabalhos de outra época, pescando diversas referências aqui e acolá, o que torna os arranjos e a produção de alto nível, mas que não revela um conjunto de canções tão interessantes quanto em outros momentos de suas carreiras.

Vários outros bons discos merecem citação, como o bom e pouco falado trabalho de Nina Becker & Marcelo Callado, casal na vida real e dupla artística que junto fez um dos discos mais sensíveis, bonitos e gostosos do ano. Feito totalmente em casa, “Gambito Budapeste” é leve e inspirado, revelando um lado doce meio férias, meio fim de tarde.

Músicas

Se dentro destes discos estão algumas das melhores músicas lançadas em 2012, outras se encontram perdidas em trabalhos também muito bons, mas com músicas isoladamente ainda melhores. Coincidentemente, as três destacadas aqui souberam aproveitar o potencial delas para também criar alguns dos melhores clipes do ano.  Caso da estreia da banda Teresa com a ótima música “Sandau“, um daqueles petardos com potencial de ser uma nova “Garota Nacional” e se tornar hino de um verão, se as rádios e as gravadoras não funcionassem ainda numa simbiose a base de propina.

O melhor hit rock do ano (e olha como eles têm feito falta), foi “66”, da banda O Terno. Com um videoclipe sensacional, a banda chamou atenção e, com uma letra ainda mais inspirada, mostrou ser mais do que uma música simples e passageira. Falar da própria dificuldade em fazer música diferente e fazer disso uma letra dando cutucada em críticos, fãs e todo o falatório em torno de quem cria música torna essa uma das melhores música do ano.

Também do meio roqueiro, mas numa pegada mais leve, a banda Vivendo do Ócio revelou uma verve mais poética e soltou uma bela canção sobre saudade. No caso, um banzo conhecido, da terra natal, a Bahia, já cantada por muita gente.  A música fez sucesso, entrou em listas de mais pedidas e foi entoada a plenos pulmões até por quem nem conhece o estado. Como já revelava Vinicius de Moraes, que tem obra citada na música, nem precisa ser baiano para saber cantar sobre a terrinha. A VDO fez uma daquelas músicas que entram no rol de preciosidades sobre a Bahia, numa ode especialmente para quem largou o estado e foi se abrigar em outro canto desse mundo.

 

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