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Artistas da África e Bahia se encontram em projeto em Salvador

Crescemos sendo influenciados pela música européia e norte-americana, pouco dando atenção à produção de outros lugares, seja Ásia, África ou mesmo de nossos vizinhos da América Latina. Aos poucos, vamos tendo acesso mais fácil, recebendo artistas destes outros continentes e conhecendo trabalhos fora dos estereótipos que nos acostumamos. É dentro dessa proposta que Salvador recebe a primeira edição do  projeto “Sons da África”, que vai promover intercâmbio entre artistas africanos e baianos com sonoridades contemporâneas, em shows e encontros no Salão Nobre da Caixa Cultural Salvador.

Dividido em três etapas, o projeto começa entre os dias 12 e 14 de maio, com as cantoras e compositoras baianas Mariella Santiago e Aiace Félix, dividindo o palco e recebendo a cantora e compositora Mariama, de Serra Leoa. Um mês depois, em junho, entre os dias 16 e 18, acontece a segunda edição, com os cantores Lazzo e Nara Couto se apresentam ao lado do multi-instrumentista, compositor e poeta Mû Mbana, de Guiné Bissau. Fechando a programação, o percussionista senegalês Maher Cissoko divide o palco como cantor e compositor Tiganá Santana e a cantora Márcia Short, entre os dias 14 e 16 de julho.

Através da musicalidade dos seis artistas baianos de matriz africana e três originários na África, o projeto pretende estimular o  intercâmbio musical, criando novos caminhos de diálogo e criação destes encontros. “Nossa ideia é fazer uma provocação artística, ao reunir músicos unidos por essa ancestralidade comum e descobrir o que irão fazer juntos. Queremos desconstruir estereótipos. Por isso, estarão aqui artistas de países e sonoridades bem distintas. Estamos falando da riqueza de sentidos e referências de um continente que tem mais de 50 países”, explica o coordenador e idealizador do projeto “Sons da África”, Emílio Mwana.

os artistas terão acompanhamento de uma banda base composta pelos músicos Ldson Galter (contrabaixo acústico, elétrico e arranjos), e responsável pela direção musical do projeto, Marcelo Galter (piano elétrico, teclados e arranjos) e Reinaldo Boaventura (bateria, percussão e arranjos).

Radicados na Europa – Nascida em Serra Leoa, mas atualmente vivendo em Paris, Mariama Jalloh cresceu na Alemanha, onde aos dezesseis anos começou a escrever suas próprias composições. Depois de passar por projetos de outros artistas, em 2009, ela deu início a sua carreira solo, sempre acompanhada de seu violão. Depois de soltar quatro EPs, em 2012, ela finalmente lançou seu primeiro álbum, ‘The Easy Way Out’, reunindo canções que passeiam por soul, jazz, folk e reggae.

Mais veterano, o cantor, compositor, multi-instrumentista e poeta Mû Mbana nasceu na Ilha de Bolama, Guiné-Bissau, na África Ocidental, e fez a carreira na Europa. Cresceu influenciado pela música local, em particular das mulheres que cantam canções religiosas e dos povos brame (Mancanha) e bijagós (Budjugo). Sua música também é marcada pela mistura, indo dos sons típicos de sua região, além da rumba congolesa, semba, m’balax, soukous, mas passando por sonoridades mais universais, como reggae, jazz, blues, gospel, além de sons afro-latino, oriental e música flamenca. Com dez discos lançados, ele já passou por palcos de várias partes do mundo, tendo passado pelo no Brasil em outras oportunidades, inclusive por Salvador. Além da própria carreira, ele colaborou com nomes como Manu Dibango, Simão Felix, Rosa Zaragoza, Jurandir Santana, Fabiana Cozza, entre outros.

O senegalês Maher Cissoko também já tem contato com a Bahia. Em 2013, ele veio ministrar oficinas e, mais recentemente, participou do disco ‘Tempo & Magma’ de Tiganá, com quem se apresentou nos shows de lançamento do álbum. Cissoko é filho de uma das grandes e mais bem conhecidas famílias Griô de Casamance, região sul do Senegal. Desde a infância se transformou em um tocador de Kora. Há um bom tempo, o percussionista está radicado na Suécia, onde mantém um premiado trabalho com a sueca Sousou. A música de Maher Cissoko acaba misturando as tradições suecas de vocais sentimentais e instrumentais com o a energia das sonoridades do Oeste africano.

Os ingressos para a primeira edição de “Sons da África” começam a ser vendidos no dia 12/05, às 9h, exclusivamente na Caixa Cultural, localizada na Rua Carlos Gomes. A programação das três edições inclui a realização de oficinas gratuitas com Mariama, Mû Mbana e Maher Cissoko. A primeira é intitulada “Sons da África por Mariama” e será realizada no dia 13/05, às 10 horas, na Caixa Cultural. As inscrições podem ser feitas presencialmente no dia da oficina, 30 minutos antes do início da atividade.

Veja programação:
12/05 (Sexta-feira): Mariella Santiago e Mariama
13/05 (Sábado): Aiace e Mariama
14/05 (Domingo): Mariama

16/06 (Sexta-feira): Lazzo e Mû Mbana
17/06 (Sábado): Nara Couto e Mû Mbana
18/06 (Domingo): Mû Mbana

14/07 (Sexta-feira): Márcia Short e Maher Cissoko
15/07 (Sábado): Tiganá Santana e Maher Cissoko
16/07 (Domingo): Maher Cissoko

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